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Mostrando postagens de setembro, 2026

EB Davis: do Arkansas à Berlim do blues

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EB Davis: do Arkansas à Berlim do blues Antes de fazer de Berlim sua casa e de transformar o blues em uma espécie de passaporte entre culturas, EB Davis conheceu a música no lugar onde ela fazia parte da vida cotidiana. Nascido em 1945, em Elaine, no Arkansas Delta, e criado em Memphis, Tennessee, ele cresceu cercado por uma cidade que, naquele período, ainda pulsava ao redor da Beale Street. Estava nos bares, nas ruas, nas jam sessions e nas vozes dos músicos que circulavam pela cidade. Davis conta que tinha cerca de seis ou sete anos quando ouviu blues pela primeira vez. A lembrança ficou. Mais tarde, adolescente, passou a acompanhar de perto aquela cena musical. Em entrevista à revista Jefferson Blues , ele recordou que nomes como Junior Parker, B.B. King, Roscoe Gordon, Gatemouth Moore e Ike Turner podiam ser vistos com frequência em Memphis. Como não tinha idade para entrar nos clubes, muitas vezes escutava os músicos do lado de fora. Memphis, Beale Street e a descoberta de uma pr...

Jesse Fuller: o homem que virou uma banda inteira

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Jesse Fuller: o homem que virou uma banda inteira Jesse Fuller aprendeu cedo que, para fazer música, nem sempre era preciso esperar que alguém chegasse para acompanhá-lo. Nascido em 12 de março de 1896, em Jonesboro, na Geórgia, ele atravessou boa parte da vida entre trabalhos, viagens e pequenas apresentações até encontrar, já na maturidade, uma maneira absolutamente particular de transformar suas experiências em canções. Quando morreu em Oakland, Califórnia, em 29 de janeiro de 1976, aos 79 anos, Fuller havia deixado muito mais do que San Francisco Bay Blues , sua composição mais conhecida. Deixara também uma ideia musical: a de que um único intérprete poderia carregar no corpo inteiro o ritmo, a harmonia, a percussão e a narrativa de uma pequena banda. Da Geórgia à Califórnia A infância de Fuller foi difícil. Ainda menino, passou a viver longe da mãe e, segundo os registros biográficos preservados sobre sua trajetória, enfrentou condições de vida bastante duras. Trabalhou em diferen...

Hayes McMullan: um capítulo pouco conhecido do blues do Mississippi

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Hayes McMullan: um capítulo pouco conhecido do blues do Mississippi Hayes McMullan passou boa parte da vida longe dos palcos, dos discos e da ideia de construir uma carreira musical. Quando sua voz finalmente chegou aos registros, ele já era um homem idoso e carregava décadas de histórias, trabalho no campo, igreja e vida comunitária. O que poderia ter sido apenas uma lembrança perdida do blues do Mississippi acabou se transformando, muitos anos depois, em um dos documentos mais singulares sobre a tradição do Delta. Nascido em 1902, no Mississippi, McMullan cresceu em um ambiente no qual a música fazia parte da vida cotidiana. Seu irmão Tom foi seu primeiro professor de violão, quando Hayes ainda tinha quatro anos. A música o acompanhou pela juventude e o levou a circular por festas, juke joints e outros espaços onde o blues sobrevivia como música de trabalho, dança, bebida, desejo e sobrevivência. Foi nesse período que McMullan conheceu músicos importantes do Delta. Entre eles estava ...

Aynsley Dunbar Retaliation: quando o blues britânico ganhou peso e liberdade

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Aynsley Dunbar Retaliation: quando o blues britânico ganhou peso e liberdade Antes de se tornar um dos bateristas mais requisitados do rock, Aynsley Dunbar já havia entendido que o blues não precisava ficar parado. Nascido em Liverpool em 10 de janeiro de 1946, ele chegou à segunda metade dos anos 1960 depois de passar por grupos da cena Merseybeat e pelos Mojos, antes de entrar para os Bluesbreakers de John Mayall. Foi ali, ao lado de Peter Green e John McVie, que gravou A Hard Road , lançado em 1967. Dunbar permaneceu pouco tempo com Mayall. Sua maneira de tocar era intensa, cheia de deslocamentos e intervenções que iam além do papel discreto reservado ao baterista de uma banda de blues. Em entrevistas, o músico relatou que Mayall queria uma bateria mais contida, enquanto ele pretendia explorar outras possibilidades. A separação abriu espaço para uma decisão importante: em vez de procurar simplesmente outro emprego, Dunbar decidiu montar sua própria banda. Antes disso, ainda passou b...

Peter Parcek: o blues como linguagem própria

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Peter Parcek: o blues como linguagem própria Peter Parcek chegou ao blues por caminhos que passam por dois lados do Atlântico. Nascido em Middletown, Connecticut, ele ainda jovem se deixou capturar pelos sons que atravessavam o rádio, ouvindo artistas como Muddy Waters, Howlin’ Wolf e Albert Collins. No fim dos anos 1960, mudou-se para a Inglaterra e encontrou em Londres uma cena que transformaria sua relação com a música. Ali, o blues estava em ebulição. Parcek acompanhou de perto apresentações de Eric Clapton, Jeff Beck e Peter Green e começou a tocar profissionalmente como cantor e gaitista. Chegou a frequentar palcos como o Marquee Club, um dos endereços fundamentais da música britânica, antes de retornar aos Estados Unidos por questões relacionadas à autorização de trabalho. A volta para casa não significou o fim daquela experiência. Ao contrário. De volta a Connecticut, Parcek passou a observar de perto artistas americanos que estavam na raiz daquela mesma música que os britânico...

Chicago Blues: Cinco Vozes, Uma História

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Chicago Blues: Cinco Vozes, Uma História Chicago não inventou o blues, mas transformou profundamente a maneira como ele seria ouvido. A cidade recebeu músicos vindos do Mississippi, Arkansas, Louisiana e de outras regiões do Sul dos Estados Unidos, especialmente durante a Grande Migração, e ofereceu a eles uma paisagem urbana onde guitarras elétricas, harmonicas, pianos, baterias e vozes ganharam uma nova potência. Nos bares, clubes e pequenos salões dos lados West e South, o blues deixou de ser apenas memória rural: tornou-se linguagem cotidiana. Booba Barnes, Barkin’ Bill Smith, Lee Solomon, James “Tail Dragger” Jones e  Jake Dawson pertencem a diferentes capítulos dessa história. Suas trajetórias não são idênticas, tampouco seus estilos. O que os aproxima é uma ligação profunda com a cena dos bairros onde o blues sobrevivia longe dos holofotes nacionais, sustentado por músicos, donos de clubes e um público que conhecia aquelas canções antes que elas chegassem aos discos. Booba B...

Z.Z. Hill: a voz marcante do soul-blues dos anos 80

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Z.Z. Hill: a voz marcante do soul-blues dos anos 80 Antes de o soul-blues ganhar um nome, uma estética e um lugar definitivo no mercado musical dos anos 1980, Z.Z. Hill já carregava na voz uma espécie de memória. Grave, áspera e profundamente sulista, sua interpretação parecia nascer de um território onde blues, gospel, rhythm & blues e soul nunca haviam deixado de conversar. Quando “Down Home Blues” chegou às rádios, em 1981, Hill já tinha quase três décadas de estrada. O que mudou foi a dimensão alcançada por uma voz que o mercado demorara demais para ouvir. Arzell Hill nasceu em 30 de setembro de 1935, em Naples, Texas. Criado em uma família religiosa, começou cantando gospel e, ainda jovem, integrou o quinteto Spiritual Five. Em 1954, aos 19 anos, mudou-se para Dallas, onde começou a construir profissionalmente sua relação com a música. O ambiente musical do Texas lhe ofereceu uma escola particular. Hill absorveu o gospel, mas também acompanhava atentamente artistas que estav...

Big Twist & the Mellow Fellows: o blues que fazia Chicago dançar

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Big Twist & the Mellow Fellows: o blues que fazia Chicago dançar Antes de Big Twist existir como nome de palco, Larry Nolan já carregava dentro da voz uma parte inteira da música negra americana. Nascido em Terre Haute, Indiana, em 23 de setembro de 1937, Lawrence Millard Nolan cresceu em uma família numerosa e musical. Seu pai tocava praticamente qualquer instrumento que tivesse à mão, e o menino começou a cantar ainda na infância, na igreja. Na década de 1950, Nolan mudou-se para o sul de Illinois. O plano inicial era estudar, mas a música encontrou outro caminho para ele. Em pouco tempo, estava comandando uma banda residente no New Orleans Club, um dos poucos clubes integrados da região, e dividindo o palco com artistas que passavam pelo circuito do Meio-Oeste. Como baterista e cantor, acompanhava nomes importantes e absorvia uma linguagem que não respeitava fronteiras rígidas entre blues, rhythm & blues, soul, country e música popular. Era esse ambiente de estrada, bares e ...

Bobby Radcliff: uma linguagem construída entre Washington, Chicago e Nova York

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Bobby Radcliff: uma linguagem construída entre Washington, Chicago e Nova York Bobby Radcliff nasceu em 22 de setembro de 1951, em Washington, D.C., e cresceu em Bethesda, Maryland, numa época em que o blues elétrico começava a encontrar novos caminhos entre clubes, rádios e jovens músicos americanos. Aos 12 anos, pegou a guitarra e iniciou estudos de violão clássico. A descoberta do blues, porém, mudaria o rumo de sua vida musical. O encontro decisivo aconteceu ainda na adolescência, quando seu professor lhe apresentou gravações de blues de Chicago. Radcliff mergulhou naquele universo com a intensidade de quem havia encontrado uma linguagem própria. Entre seus primeiros grandes modelos estavam Magic Sam, Buddy Guy, Otis Rush e outros guitarristas ligados ao chamado West Side de Chicago. Em 1969, aos 17 anos, Radcliff foi ao Ann Arbor Blues Festival, no Michigan, e viu Magic Sam tocar. A experiência foi transformadora. Pouco depois, o jovem guitarrista viajou de ônibus para Chicago dec...

Ranie Burnette: o blues das colinas do Mississippi que sobreviveu ao tempo

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Ranie Burnette: o blues das colinas do Mississippi que sobreviveu ao tempo Antes que o Hill Country Blues de North Mississippi chegasse aos palcos internacionais, às gravadoras especializadas e ao interesse renovado de novas gerações, ele já existia nas festas, nos juke joints e nas pequenas comunidades espalhadas pelas colinas do norte do Mississippi. Ranie Burnette pertence a esse tempo anterior à fama, quando o blues era sobretudo uma prática comunitária, passada de músico para músico, noite após noite. Nascido em 4 de julho de 1913, em Pleasant Grove, no condado de Panola, Mississippi, Burnette cresceu em uma região que se tornaria um dos territórios fundamentais para compreender a sonoridade particular do Hill Country Blues. Durante as décadas de 1940 e 1950, tocou em festas e juke joints da região, dividindo o circuito musical com nomes como Mississippi Fred McDowell. Seu instrumento era o violão, mas o elemento mais marcante de sua música não estava apenas nas notas. Havia um se...