Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Guitarristas

Bobby Radcliff: uma linguagem construída entre Washington, Chicago e Nova York

Imagem
Bobby Radcliff: uma linguagem construída entre Washington, Chicago e Nova York Bobby Radcliff nasceu em 22 de setembro de 1951, em Washington, D.C., e cresceu em Bethesda, Maryland, numa época em que o blues elétrico começava a encontrar novos caminhos entre clubes, rádios e jovens músicos americanos. Aos 12 anos, pegou a guitarra e iniciou estudos de violão clássico. A descoberta do blues, porém, mudaria o rumo de sua vida musical. O encontro decisivo aconteceu ainda na adolescência, quando seu professor lhe apresentou gravações de blues de Chicago. Radcliff mergulhou naquele universo com a intensidade de quem havia encontrado uma linguagem própria. Entre seus primeiros grandes modelos estavam Magic Sam, Buddy Guy, Otis Rush e outros guitarristas ligados ao chamado West Side de Chicago. Em 1969, aos 17 anos, Radcliff foi ao Ann Arbor Blues Festival, no Michigan, e viu Magic Sam tocar. A experiência foi transformadora. Pouco depois, o jovem guitarrista viajou de ônibus para Chicago dec...

Eric Steckel: o blues com peso e personalidade

Imagem
Eric Steckel: o blues com peso e personalidade Eric Steckel aprendeu cedo que uma guitarra pode dizer muito antes mesmo de o músico encontrar as palavras. Nascido nos Estados Unidos e criado musicalmente entre o blues, o rock e a linguagem da guitarra elétrica, Steckel começou a chamar atenção ainda criança, quando o instrumento deixou de ser apenas uma paixão e passou a determinar o rumo de sua vida. Em abril de 2002, aos 11 anos, gravou ao vivo seu primeiro álbum, A Few Degrees Warmer . No ano seguinte, sua apresentação no Sarasota Blues Festival, na Flórida, chamou a atenção de John Mayall. Steckel tinha apenas 12 anos quando subiu ao palco com os Bluesbreakers, experiência que se transformaria em um dos capítulos decisivos de sua formação. A relação com Mayall foi além de uma participação simbólica. Em 2004, Steckel acompanhou os Bluesbreakers em uma turnê pela Escandinávia e, no início de 2005, participou das sessões do álbum Road Dogs , de John Mayall. A oportunidade colocou um g...

Matthew Curry: o blues-rock de quem nasceu para a estrada

Imagem
Matthew Curry: o blues-rock de quem nasceu para a estrada Matthew Curry nasceu em 23 de maio de 1995 e cresceu em Bloomington, Illinois, cercado por música e por uma guitarra que chegou cedo à sua vida. Aos quatro anos, começou a tocar com o incentivo do pai. Aos oito, já subia ao palco. Aos onze, liderava sua própria banda e começava a transformar a experiência de tocar em uma linguagem autoral. A precocidade, porém, nunca foi o único argumento de Curry. O que veio depois foi uma construção paciente de identidade, entre o blues, o rock, o southern rock e a tradição country norte-americana. Canhoto, Curry encontrou na guitarra elétrica uma espécie de extensão natural do próprio corpo. Influenciado por nomes como ZZ Top e Stevie Ray Vaughan, desenvolveu uma maneira de tocar em que o virtuosismo não aparece separado da canção. A guitarra pode avançar, incendiar um refrão ou abrir espaço para um solo, mas permanece ligada à narrativa que sustenta cada composição. Ainda adolescente, essa...

Um blues feito de madeira, ferrugem e memória

Imagem
Seasick Steve: Um blues feito de madeira, ferrugem e memória Seasick Steve chegou ao grande público quando já carregava uma vida inteira de música nas costas. Em vez de surgir como uma nova promessa, apareceu na televisão britânica no fim de 2006 com barba, chapéu, uma guitarra de três cordas e um jeito de tocar que parecia ter atravessado décadas sem pedir licença ao tempo. A apresentação de Dog House Boogie no programa Jools Holland's Hootenanny , na virada daquele ano, transformou Steven Gene Wold em uma das figuras mais improváveis do blues contemporâneo. Nascido em Oakland, Califórnia, em 19 de março de 1951, Steve cresceu cercado pela música americana. O pai tocava piano e sua formação musical passou por uma coleção doméstica que reunia jazz, rhythm and blues, country e os sons que ajudaram a construir a paisagem musical dos Estados Unidos no século XX. Entre suas primeiras referências estavam nomes como The Ink Spots, The Mills Brothers, Ella Fitzgerald, Louis Armstrong, Ha...

Tom Principato: "Twangin!", um álbum sobre timbre, fraseado e maturidade

Imagem
Tom Principato: " Twangin!",  um álbum sobre timbre, fraseado e maturidade Tom Principato conhece profundamente o idioma da guitarra elétrica. Aos 74 anos, o músico de Washington, D.C., carrega mais de cinco décadas de estrada, milhares de apresentações e uma trajetória construída entre o blues, o rock, o country, o funk e as raízes da música americana. Em Twangin! , seu novo álbum lançado em 3 de abril de 2026 pela Powerhouse Records, ele escolhe deixar a guitarra falar sozinha. É uma escolha significativa. Este é o primeiro álbum de estúdio de Principato em 13 anos e também um trabalho inteiramente instrumental. Não há voz para conduzir a narrativa, nem letra para indicar o caminho. Restam as seis cordas, o ritmo, o espaço e a experiência de um guitarrista que passou a vida procurando novas maneiras de fazer uma nota dizer alguma coisa. O resultado é um disco de 11 faixas que passeia pelo blues, boogie, country, gospel, rock e pela tradição instrumental americana sem transf...

Henry Spaulding: duas gravações e uma vida comum como barbeiro

Imagem
Henry Spaulding: duas gravações e uma vida comum como barbeiro Henry Spaulding deixou uma das discografias mais breves e, ao mesmo tempo, mais intrigantes do blues pré-guerra. Sua carreira fonográfica conhecida resume-se a apenas duas músicas, registradas em uma única sessão em Chicago, em 9 de maio de 1929 : “Cairo Blues” e “Biddle Street Blues” . As duas foram lançadas pela Brunswick no mesmo disco de 78 rotações, o Brunswick 7085. Por muito tempo, a história de Spaulding permaneceu praticamente restrita às lembranças de outros músicos e às notas das antigas compilações de blues. Henry Townsend, que se tornaria uma das figuras centrais do blues de St. Louis, contou que conheceu Spaulding ainda jovem, aprendeu com ele alguns de seus recursos de guitarra e costumava acompanhá-lo em festas. Townsend também descreveu Spaulding como um homem mais velho e barbeiro de profissão. Essa relação ajuda a compreender a importância de Spaulding. Seu violão tinha uma característica marcante: o us...

Bernie Pearl: o blues aprendido com os mestres e preservado na ponta dos dedos

Imagem
Bernie Pearl: o blues aprendido com os mestres e preservado na ponta dos dedos Bernie Pearl pertence a uma geração rara de músicos para quem o blues não chegou primeiro pelos discos, mas pela convivência. Nascido em 17 de outubro de 1939, em Los Angeles , o guitarrista cresceu em uma cidade que, a partir do pós-guerra, se transformaria em um dos importantes centros do blues e do rhythm and blues nos Estados Unidos. Sua formação musical aconteceu de maneira privilegiada. Pearl teve contato direto com alguns dos grandes nomes que ajudaram a construir a linguagem do blues moderno, entre eles Lightnin' Hopkins, Mance Lipscomb e Mississippi Fred McDowell . A convivência com esses mestres, somada ao ambiente do lendário Ash Grove, ajudou a moldar uma maneira de tocar profundamente ligada à tradição. O Ash Grove e uma escola chamada blues O Ash Grove ocupava um lugar especial na história musical de Los Angeles. O clube, administrado por Ed Pearl, irmão de Bernie, recebeu artistas de folk,...

Nico Wayne Toussaint: do Sul da França ao coração do blues do Mississippi

Imagem
Nico Wayne Toussaint: do Sul da França ao coração do blues do Mississippi Nico Wayne Toussaint nasceu em 1973, em Toulon, no sul da França , mas sua identidade musical seria construída muito longe das paisagens mediterrâneas de sua infância. Ainda adolescente, aos 15 anos, descobriu o blues e encontrou na harmônica uma porta de entrada para uma tradição musical que, embora nascida nos Estados Unidos, logo se tornaria parte essencial de sua própria linguagem. A descoberta de James Cotton tocando ao lado de Muddy Waters foi particularmente importante. O som da harmônica elétrica, a força física da interpretação e a maneira como Cotton transformava o instrumento em protagonista ajudaram a apontar o caminho que Toussaint seguiria. Aos poucos, a curiosidade de adolescente transformou-se em estudo, prática e, posteriormente, em profissão. Da França para os clubes americanos Antes de consolidar sua carreira solo, Toussaint passou por diferentes formações. Entre elas esteve o grupo Vent du Su...

Ruthie Foster: uma voz moldada pela fé, pelo blues e pela estrada

Imagem
Ruthie Foster: uma voz moldada pela fé, pelo blues e pela estrada Ruthie Foster construiu uma das trajetórias mais consistentes da música de raízes norte-americana contemporânea. Nascida em 10 de fevereiro de 1964, em Mineola, Texas, e criada em Gause, uma pequena comunidade rural do estado, a cantora, guitarrista e compositora cresceu cercada pelo gospel e pela tradição musical da igreja. Aos 14 anos, já assumia solos no coro de sua comunidade, experiência que ajudaria a formar uma das vozes mais expressivas do blues contemporâneo. Sua música, entretanto, nunca ficou confinada a uma única fronteira. Blues, gospel, soul, folk, country e elementos de rock convivem em seu trabalho com naturalidade. Essa amplitude não surgiu como uma estratégia de carreira, mas como consequência de uma formação musical que absorveu diferentes linguagens da música norte-americana. Da igreja ao palco Depois do ensino médio, Foster mudou-se para Waco, Texas, onde estudou música e engenharia de áudio no McL...

Evan Nicole Bell: a voz que encontra no blues um caminho para o futuro

Imagem
Evan Nicole Bell: a voz que encontra no blues um caminho para o futuro Evan Nicole Bell nasceu em 15 de fevereiro de 1997, no Texas, mas foi em Columbia, Maryland, que sua identidade artística começou a ganhar forma. Cantora, guitarrista, compositora, multi-instrumentista e produtora, Bell vem construindo uma linguagem própria a partir do encontro entre blues, soul, rock, folk e Americana. Seu trabalho parte da tradição, mas não se acomoda diante dela. Essa característica ajuda a entender por que seu nome começou a circular com tanta força entre os admiradores do blues contemporâneo. Seu trabalho parte da tradição, mas encontra nela espaço para experimentar, acrescentar novas referências e construir uma identidade musical própria. Ela pesquisa suas raízes, absorve sua linguagem e, a partir daí, acrescenta outras referências à equação. O resultado é uma música que pode carregar a rusticidade do blues elétrico em um momento e, logo depois, abrir espaço para elementos de soul, folk, rock...