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Big John Wrencher: a harmônica da Maxwell Street

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Big John Wrencher: a harmônica da Maxwell Street  O blues sempre teve seus gigantes silenciosos. Homens que não ocuparam as capas das grandes revistas, mas sustentaram o gênero nos palcos improvisados, nas feiras de rua e nos clubes esfumaçados. Big John Wrencher foi um desses nomes essenciais. Harmonicista de timbre robusto, cantor de voz rasgada e presença magnética, ele construiu uma trajetória marcada por superação, resistência e fidelidade absoluta ao som cru do Chicago blues. Das raízes do Mississippi à estrada Nascido como John Thomas Wrencher , em 12 de fevereiro de 1923, em Sunflower, Mississippi, ele cresceu cercado pela tradição do blues rural. Como muitos músicos de sua geração, aprendeu de forma autodidata, absorvendo o som que ecoava nas plantações e nos juke joints do Delta. A harmônica tornou-se sua extensão natural — portátil, expressiva, perfeita para a vida itinerante que o aguardava. Na década de 1940, Wrencher começou a viajar pelo sul e meio-oeste dos...

Phillip Walker: elegância, precisão e o blues na estrada

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Phillip Walker: elegância, precisão e o blues na estrada Alguns guitarristas tocam alto para serem ouvidos. Outros, como Phillip Walker , aprenderam cedo que o blues também pode falar baixo — e ainda assim dizer tudo. Dono de uma das guitarras mais elegantes do blues elétrico americano, Walker construiu uma carreira longa, sólida e profundamente respeitada, mesmo sem jamais ocupar o centro do estrelato. Nascido em 11 de fevereiro de 1937 , em Welsh, Louisiana, e criado em Port Arthur, Texas , Phillip Walker cresceu cercado por sons que misturavam o blues do Golfo, o rhythm and blues e a tradição afro-americana do sul dos Estados Unidos. Ainda jovem, aprendeu guitarra e rapidamente passou a tocar profissionalmente, desenvolvendo um estilo marcado pela clareza dos fraseados , pela economia de notas e por um senso rítmico refinado. Da estrada ao estúdio: um músico de músicos Nos anos 1950, Walker já rodava o país acompanhando artistas como Clifton Chenier e Lonesome Sundown , ex...

T.V. Slim: o blues cotidiano de um homem entre válvulas, estradas e canções

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T.V. Slim: o blues cotidiano de um homem entre válvulas, estradas e canções Alguns nomes do blues atravessam a história sem jamais se fixar no centro do palco. Permanecem à margem dos holofotes, mas profundamente enraizados na experiência real da música e da vida. T.V. Slim , nascido Oscar W. Wills, pertence a essa linhagem. Cantor, guitarrista e compositor, ele construiu uma obra marcada pelo humor, pela observação do cotidiano e por um senso muito particular de groove, transitando entre o blues, o rhythm & blues e o swamp blues ao longo das décadas de 1950 e 1960. Das margens da Louisiana para o circuito do R&B Oscar W. Wills nasceu em 10 de fevereiro de 1916 , na região fronteiriça entre Bethany, na Louisiana, e o Texas , um território onde o blues rural ainda pulsava com força. Cresceu cercado por referências fundamentais da música afro-americana do sul, absorvendo influências que iam de DeFord Bailey aos primeiros intérpretes de blues amplificado, como Sonny Boy Wi...

Johnny Heartsman: o alquimista do blues elétrico

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Johnny Heartsman: o alquimista do blues elétrico Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, Johnny Heartsman construiu uma trajetória sólida e discreta no blues norte-americano. Multi-instrumentista completo, transitou entre o blues, o R&B, o soul e o jazz, deixando sua marca tanto em gravações próprias quanto no trabalho como músico de estúdio. Das raízes texanas ao laboratório sonoro da Costa Oeste John Leroy “Johnny” Heartsman nasceu em 9 de fevereiro de 1936, em Houston, Texas, mas foi na Califórnia — especialmente na região da Baía de San Francisco e em Sacramento — que construiu sua identidade musical. Ainda adolescente, já atuava como músico de estúdio, inserido em um circuito criativo efervescente, marcado pela independência dos selos locais e pela mistura racial e estilística. Nos anos 1950, Heartsman passou a trabalhar com o produtor Bob Geddins , figura-chave do blues da Costa Oeste. Sua versatilidade instrumental rapidamente o tornou requisitado: guitarra...

Eddie “Guitar” Burns: o blues de Detroit com raízes no Mississippi

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Eddie “Guitar” Burns: o blues de Detroit com raízes no Mississippi Eddie “Guitar” Burns não foi apenas um músico de blues. Foi um elo vivo entre o Delta do Mississippi e o blues urbano de Detroit, um artista que atravessou gerações sem jamais perder o sotaque da rua, do trabalho duro e da experiência real. Sua trajetória é a de quem carregou o blues como ofício, linguagem e sobrevivência. Do Mississippi ao Norte industrial Nascido em 8 de fevereiro de 1928, em Belzoni, Mississippi , Eddie Burns cresceu em meio a um ambiente musical popular e itinerante. Seu pai tocava em medicine shows , e foi ali, observando músicos e absorvendo sons, que Eddie começou a se formar. A harmônica foi seu primeiro instrumento , aprendida de forma autodidata, antes mesmo de ter uma guitarra em mãos. Influenciado por nomes como Sonny Boy Williamson I e Big Bill Broonzy , Burns desenvolveu um estilo direto, cru e funcional — feito para contar histórias e mover corpos, não para exibir virtuosismo. ...

King Curtis: sax, voz e alma no coração do blues

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King Curtis: sax, voz e alma no coração do blues Curtis Ousley — mais conhecido como King Curtis — foi um saxofonista, cantor, arranjador e diretor musical que ajudou a moldar o som do blues, do rhythm and blues, do soul e do rock and roll no século XX. Sua vida e obra atravessaram décadas de transição entre tradições afro-americanas e novos ritmos populares, sempre com o sax tenor como centro de seu legado. Da infância em Fort Worth à cena de Nova Iorque Nascido em 7 de fevereiro de 1934 , em Fort Worth, Texas, King Curtis começou a tocar saxofone ainda jovem e desenvolveu rapidamente um estilo potente, expressivo e profundamente conectado às raízes do blues e do jazz. No início dos anos 1950, mudou-se para Nova Iorque , onde se transformou em um dos músicos de estúdio mais requisitados da cidade. Seu sax pode ser ouvido em gravações fundamentais do rhythm and blues e do início do rock and roll. Curtis transitava com naturalidade entre estúdios, palcos e turnês, consolidando...

Laurence Jones: do blues britânico elétrico ao íntimo “On My Own”

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Laurence Jones: do blues britânico elétrico ao íntimo “On My Own” Na linha tênue entre tradição e reinvenção, o guitarrista inglês Laurence Jones se afirma como uma das vozes mais autênticas do blues contemporâneo. Nascido em Liverpool em 13 de fevereiro de 1992, Jones passou da guitarra clássica à paixão pelo blues, construindo uma trajetória marcada por técnica, energia e honestidade emocional — uma história que agora se reflete em seu mais recente trabalho, o álbum On My Own (2026). os primeiros acordes e a formação do artista Jones começou seus estudos em guitarra clássica ainda criança e, aos 18 anos, alcançou o Grade 8 com distinção , um feito que já mostrava sua habilidade técnica. Foi, porém, através da coleção de vinis do pai que ele descobriu o blues e o rock que moldariam seu som: desde o espírito cru dos pioneiros até o blues rock moderno que mescla alma e poder no instrumento.  O início profissional de Laurence veio ainda jovem — assinou seu primeiro contrato...