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Crystal Shawanda: o blues como caminho de volta

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Crystal Shawanda: o blues como caminho de volta Crystal Shawanda canta como quem conhece o peso de uma história antes mesmo de transformá-la em música. Sua voz tem força, mas não depende apenas dela. Há experiência, memória, pertencimento e uma espécie de liberdade conquistada ao longo de uma trajetória que começou em Wiikwemkoong First Nation, na ilha Manitoulin, em Ontário, e passou por Nashville antes de encontrar no blues um território muito mais próximo de suas raízes musicais. Shawanda cresceu em uma família onde a música fazia parte da vida cotidiana. O country veio dos pais. O blues chegou principalmente através do irmão mais velho, que apresentou à menina os discos que despertariam uma paixão duradoura. Antes de chegar à adolescência, ela já cantava e se apresentava. Aos poucos, aquela voz criada em uma comunidade indígena do norte de Ontário começou a ganhar distância de sua origem. Nashville seria o próximo destino. De Wiikwemkoong a Nashville No começo dos anos 2000, Shawan...

Corey Harris: atravessando fronteiras sem perder a força do blues

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Corey Harris: atravessando fronteiras sem perder a força do blues Corey Harris aprendeu cedo que o blues não termina onde começa outra música. Nascido em Denver, Colorado, em 21 de fevereiro de 1969, ele construiu uma carreira justamente nos espaços de encontro: entre o Delta do Mississippi e Nova Orleans, entre a tradição afro-americana e as sonoridades africanas, entre o blues rural e o reggae, o soul e o gospel. Essa vocação para atravessar fronteiras não nasceu de uma estratégia de mercado. Faz parte da formação de Harris. Filho de uma família com raízes no Texas e no Kentucky, começou a tocar guitarra aos 12 anos, influenciado pelos discos de Lightnin’ Hopkins que pertenciam à mãe. Na adolescência, passou pelo rock’n’roll e pela banda marcial da escola, enquanto a igreja ajudava a desenvolver sua relação com a voz. Na Bates College, no Maine, estudou antropologia e aprofundou o interesse pelas culturas africanas. No início dos anos 1990, viveu durante um ano em Camarões, experiênc...

EB Davis: do Arkansas à Berlim do blues

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EB Davis: do Arkansas à Berlim do blues Antes de fazer de Berlim sua casa e de transformar o blues em uma espécie de passaporte entre culturas, EB Davis conheceu a música no lugar onde ela fazia parte da vida cotidiana. Nascido em 1945, em Elaine, no Arkansas Delta, e criado em Memphis, Tennessee, ele cresceu cercado por uma cidade que, naquele período, ainda pulsava ao redor da Beale Street. Estava nos bares, nas ruas, nas jam sessions e nas vozes dos músicos que circulavam pela cidade. Davis conta que tinha cerca de seis ou sete anos quando ouviu blues pela primeira vez. A lembrança ficou. Mais tarde, adolescente, passou a acompanhar de perto aquela cena musical. Em entrevista à revista Jefferson Blues , ele recordou que nomes como Junior Parker, B.B. King, Roscoe Gordon, Gatemouth Moore e Ike Turner podiam ser vistos com frequência em Memphis. Como não tinha idade para entrar nos clubes, muitas vezes escutava os músicos do lado de fora. Memphis, Beale Street e a descoberta de uma pr...

Jesse Fuller: o homem que virou uma banda inteira

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Jesse Fuller: o homem que virou uma banda inteira Jesse Fuller aprendeu cedo que, para fazer música, nem sempre era preciso esperar que alguém chegasse para acompanhá-lo. Nascido em 12 de março de 1896, em Jonesboro, na Geórgia, ele atravessou boa parte da vida entre trabalhos, viagens e pequenas apresentações até encontrar, já na maturidade, uma maneira absolutamente particular de transformar suas experiências em canções. Quando morreu em Oakland, Califórnia, em 29 de janeiro de 1976, aos 79 anos, Fuller havia deixado muito mais do que San Francisco Bay Blues , sua composição mais conhecida. Deixara também uma ideia musical: a de que um único intérprete poderia carregar no corpo inteiro o ritmo, a harmonia, a percussão e a narrativa de uma pequena banda. Da Geórgia à Califórnia A infância de Fuller foi difícil. Ainda menino, passou a viver longe da mãe e, segundo os registros biográficos preservados sobre sua trajetória, enfrentou condições de vida bastante duras. Trabalhou em diferen...

Hayes McMullan: um capítulo pouco conhecido do blues do Mississippi

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Hayes McMullan: um capítulo pouco conhecido do blues do Mississippi Hayes McMullan passou boa parte da vida longe dos palcos, dos discos e da ideia de construir uma carreira musical. Quando sua voz finalmente chegou aos registros, ele já era um homem idoso e carregava décadas de histórias, trabalho no campo, igreja e vida comunitária. O que poderia ter sido apenas uma lembrança perdida do blues do Mississippi acabou se transformando, muitos anos depois, em um dos documentos mais singulares sobre a tradição do Delta. Nascido em 1902, no Mississippi, McMullan cresceu em um ambiente no qual a música fazia parte da vida cotidiana. Seu irmão Tom foi seu primeiro professor de violão, quando Hayes ainda tinha quatro anos. A música o acompanhou pela juventude e o levou a circular por festas, juke joints e outros espaços onde o blues sobrevivia como música de trabalho, dança, bebida, desejo e sobrevivência. Foi nesse período que McMullan conheceu músicos importantes do Delta. Entre eles estava ...

Aynsley Dunbar Retaliation: quando o blues britânico ganhou peso e liberdade

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Aynsley Dunbar Retaliation: quando o blues britânico ganhou peso e liberdade Antes de se tornar um dos bateristas mais requisitados do rock, Aynsley Dunbar já havia entendido que o blues não precisava ficar parado. Nascido em Liverpool em 10 de janeiro de 1946, ele chegou à segunda metade dos anos 1960 depois de passar por grupos da cena Merseybeat e pelos Mojos, antes de entrar para os Bluesbreakers de John Mayall. Foi ali, ao lado de Peter Green e John McVie, que gravou A Hard Road , lançado em 1967. Dunbar permaneceu pouco tempo com Mayall. Sua maneira de tocar era intensa, cheia de deslocamentos e intervenções que iam além do papel discreto reservado ao baterista de uma banda de blues. Em entrevistas, o músico relatou que Mayall queria uma bateria mais contida, enquanto ele pretendia explorar outras possibilidades. A separação abriu espaço para uma decisão importante: em vez de procurar simplesmente outro emprego, Dunbar decidiu montar sua própria banda. Antes disso, ainda passou b...

Peter Parcek: o blues como linguagem própria

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Peter Parcek: o blues como linguagem própria Peter Parcek chegou ao blues por caminhos que passam por dois lados do Atlântico. Nascido em Middletown, Connecticut, ele ainda jovem se deixou capturar pelos sons que atravessavam o rádio, ouvindo artistas como Muddy Waters, Howlin’ Wolf e Albert Collins. No fim dos anos 1960, mudou-se para a Inglaterra e encontrou em Londres uma cena que transformaria sua relação com a música. Ali, o blues estava em ebulição. Parcek acompanhou de perto apresentações de Eric Clapton, Jeff Beck e Peter Green e começou a tocar profissionalmente como cantor e gaitista. Chegou a frequentar palcos como o Marquee Club, um dos endereços fundamentais da música britânica, antes de retornar aos Estados Unidos por questões relacionadas à autorização de trabalho. A volta para casa não significou o fim daquela experiência. Ao contrário. De volta a Connecticut, Parcek passou a observar de perto artistas americanos que estavam na raiz daquela mesma música que os britânico...