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Mercy Dee Walton: o cronista do blues dos campos e das estradas

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Mercy Dee Walton: o cronista do blues dos campos e das estradas Do Texas ao circuito do Oeste Nascido em 30 de agosto de 1915, em Waco, Texas , Mercy Dee Walton cresceu em meio ao trabalho rural e às tradições musicais do sul dos Estados Unidos. Filho de trabalhadores agrícolas, encontrou no piano uma rota de escape ainda na adolescência, inspirado pelos sons que ecoavam nas festas caseiras e nos encontros informais da comunidade negra local. Aos 13 anos já dedilhava as teclas com a marca crua e pulsante do barrelhouse blues , estilo que carregaria por toda a vida. No fim dos anos 1930, como tantos músicos afro-americanos de sua geração, migrou para a Califórnia em busca de melhores condições. Instalado no Vale de San Joaquin, dividia o tempo entre o trabalho nas lavouras e apresentações em bares e clubes frequentados por trabalhadores rurais — um público que, mais tarde, se tornaria o retrato vivo de suas composições. Entre o sucesso e o esquecimento A estreia em disco veio em 19...

Shaun Murphy: da alma soul ao blues, a jornada de uma voz indomável

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Shaun Murphy: da alma soul ao blues, a jornada de uma voz indomável Antes de se tornar uma referência no blues contemporâneo, Shaun Murphy já havia atravessado uma das rotas mais intensas da música americana: o cruzamento entre soul, rock e teatro musical. Sua trajetória não é apenas extensa — é profundamente enraizada na história da indústria fonográfica dos Estados Unidos, com capítulos que passam por gravadoras icônicas, bandas cultuadas e sessões de estúdio ao lado de gigantes. Stoney & Meat Loaf: o início sob o selo da Motown No início dos anos 1970, Murphy deu seu primeiro passo de destaque ao lado de Meat Loaf . A dupla, conhecida como Stoney & Meat Loaf , assinou contrato com a Rare Earth Records , divisão da lendária Motown Records , em 1971. O projeto resultou em um álbum que misturava soul, rock e teatralidade, antecipando elementos que marcariam a carreira posterior de Meat Loaf. Embora a parceria tenha sido breve, ela teve um papel formador. Os dois também integra...

GA-20 e Charlie Musselwhite: o blues em estado bruto e reverente

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GA-20 e Charlie Musselwhite: o blues em estado bruto e reverente Há encontros que não soam como novidade, mas como destino. A parceria entre o trio de Boston GA-20 e o lendário gaitista Charlie Musselwhite nasce exatamente desse ponto: uma afinidade que atravessa décadas de estrada, amplificadores antigos e uma devoção quase espiritual ao blues elétrico. Gravado com estética crua e direta, o álbum aposta em uma abordagem que dispensa excessos. O som é seco, pulsante, como se tivesse sido capturado em uma única tomada dentro de um juke joint perdido no tempo. Não por acaso: o GA-20 construiu sua identidade justamente nessa interseção entre tradição e urgência contemporânea. Um trio movido por válvulas e tradição Formado em Boston em 2018 pelo guitarrista Matthew Stubbs , o GA-20 carrega no nome uma homenagem a um amplificador Gibson dos anos 1950 — símbolo perfeito da estética que a banda persegue. Stubbs, aliás, não é estranho a esse universo: por mais de uma década, integrou a banda...

Roy Milton: o ritmo que antecipou uma revolução sonora

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Roy Milton: o ritmo que antecipou uma revolução sonora Roy Milton ocupa um lugar singular na história da música popular norte-americana. Sua obra, construída entre o blues urbano e o rhythm & blues do pós-guerra, ajudou a moldar uma linguagem que mais tarde explodiria sob o nome de rock ’n’ roll. Com pulso firme, senso melódico apurado e uma visão moderna do ritmo, Milton foi um dos grandes arquitetos do som que colocou o blues nas pistas de dança. Origem e formação musical Nascido em 31 de julho de 1907 , em Wynnewood, Oklahoma, Roy Milton cresceu imerso na tradição da música religiosa, cantando em igrejas durante a juventude. Essa base no gospel deixaria marcas profundas em sua interpretação vocal, sempre carregada de emoção e intensidade. Antes de alcançar notoriedade, atuou como baterista e cantor em diferentes formações, absorvendo influências do swing, do boogie-woogie e do blues que se urbanizava rapidamente nos anos 1930 e 1940. Essa mistura seria fundamental para a constr...

Scott Holt: o discípulo que transformou reverência em identidade

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Scott Holt: o discípulo que transformou reverência em identidade Há encontros que mudam destinos. Para Scott Holt , esse encontro aconteceu quando ainda era um jovem músico em formação, decidido a compreender a fundo a linguagem do blues. Aos 19 anos, ele iniciou sua jornada com a guitarra nas mãos e uma inquietação artística que não demoraria a encontrar direção. Em outubro de 1989, essa busca ganhou um novo significado ao cruzar caminhos com Buddy Guy — não apenas um ídolo, mas um mentor que ajudaria a moldar sua carreira e sua visão musical. Uma década ao lado de uma lenda Durante cerca de dez anos, Scott Holt esteve ao lado de Buddy Guy, vivendo o blues em sua forma mais intensa: na estrada, nos palcos e nos estúdios. Foi um período de aprendizado profundo e de amadurecimento artístico. Ao lado do mestre, Holt participou da gravação do álbum Slippin' In , vencedor do GRAMMY, um marco que ajudou a consolidar ainda mais o nome de Guy e, ao mesmo tempo, projetou Holt como um guit...

Gary Smith: o sopro profundo do blues na Costa Oeste

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Gary Smith: o sopro profundo do blues na Costa Oeste Origens e formação Gary Smith pertence à linhagem de músicos que não apenas tocaram o blues, mas ajudaram a moldar seu território em uma região específica dos Estados Unidos. Nascido na Califórnia e criado em Sunnyvale, Smith iniciou sua trajetória musical ainda jovem, primeiro na bateria, antes de migrar para a gaita — uma escolha motivada pela ausência de um bom gaitista em sua própria banda. Esse gesto, quase casual, definiria toda a sua vida artística. Desde o fim dos anos 1960, já liderava grupos na região da Baía de San Francisco, mergulhando profundamente na linguagem do blues elétrico e absorvendo influências de mestres como Little Walter e Junior Wells. O primeiro sopro em um palco histórico Em 1973, Gary Smith entrou definitivamente para a história do blues ao protagonizar um momento simbólico: sua banda foi a primeira a subir ao palco do San Francisco Blues Festival , evento que se tornaria o mais longevo festival de bl...

Big Jack Johnson: o peso elétrico do Delta e a voz crua de Clarksdale

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Big Jack Johnson: o peso elétrico do Delta e a voz crua de Clarksdale Há nomes que não apenas tocam o blues — eles o carregam nas mãos calejadas, no timbre áspero da voz e na vida que corre fora dos palcos. Big Jack Johnson foi um desses raros sobreviventes do Delta que transformaram experiência em som, sem verniz, sem concessões. Seu blues não pedia licença: chegava como um golpe direto, elétrico, visceral. Raízes no Mississippi e o nascimento de um estilo Nascido como Jack N. Johnson , em 30 de julho de 1940, na pequena Lambert, Mississippi, Big Jack cresceu imerso na tradição musical familiar. Seu pai tocava em bandas locais, e foi ali, ainda adolescente, que ele aprendeu os primeiros acordes — aos 13 anos já dividia o palco com músicos mais velhos, absorvendo o espírito do blues rural. Influenciado pela eletrificação de B.B. King , Johnson fez a transição da guitarra acústica para a elétrica no início dos anos 1960. Essa mudança definiria sua identidade: um som pesado, cortante, p...