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Jerry Boogie McCain: ritmo, ironia e eletricidade no blues do Alabama

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Jerry Boogie McCain: ritmo, ironia e eletricidade no blues do Alabama Há músicos que seguem tradições. E há aqueles que as atravessam, dobram e devolvem ao mundo com outra voz. Jerry “Boogie” McCain pertence a essa segunda linhagem: um artista que transformou a gaita em instrumento de personalidade, humor e invenção dentro do blues elétrico. Origem e primeiros sopros Nascido em 18 de junho de 1930 , em Gadsden, Alabama, Jerry McCain cresceu em meio a uma realidade simples, mas musicalmente fértil. Ainda criança, já tocava gaita nas ruas — um hábito que lhe rendeu o apelido “Boogie” ainda na infância. Influenciado por nomes como Little Walter e outros mestres do pós-guerra, McCain desenvolveu cedo uma obsessão pelo som amplificado da harmônica. Em 1953 , fez suas primeiras gravações pelo selo Trumpet Records, iniciando uma trajetória que atravessaria décadas. Durante sua passagem pela Excello Records, entre 1955 e 1957, refinou um estilo próprio: frases curtas, timbre cortante e letra...

King Biscuit Boy: o gaitista canadense que levou o blues ao topo

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King Biscuit Boy: o gaitista canadense que levou o blues ao topo Um garoto, uma gaita e o chamado do rádio Richard Alfred Newell , nascido em 9 de março de 1944, em Hamilton, Ontário, cresceu ouvindo ecos distantes do blues que atravessavam a fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá pelas ondas do rádio. Foi assim, ainda jovem, que o som da gaita o encontrou — e nunca mais o deixou. Adotando o nome artístico King Biscuit Boy , inspirado no lendário programa de rádio King Biscuit Time , Newell transformou-se em um dos principais nomes do blues canadense. O apelido lhe foi dado por Ronnie Hawkins, figura central do rock e do rhythm & blues, que reconheceu no jovem gaitista um talento raro e visceral. Dos palcos locais ao circuito internacional A trajetória de King Biscuit Boy começou ainda no início dos anos 1960, com bandas como The Barons e The Mid-Knights . Mas foi ao lado de Ronnie Hawkins, no final da década, que seu nome começou a ganhar projeção. Após a dissolução da ba...

Zac Harmon: o blues encontra sua verdade ao vivo

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Zac Harmon: o blues encontra sua verdade ao vivo Há artistas que chegam ao blues como quem retorna para casa. Zac Harmon é um deles. Nascido em Jackson, Mississippi, berço de uma tradição musical profunda, Harmon construiu uma trajetória singular — que passa pelos bastidores da indústria musical, cruza o soul, o R&B e o reggae, e encontra sua expressão definitiva quando decide, enfim, gravar o próprio blues. Das raízes no Mississippi aos bastidores da indústria William Zach “Zac” Harmon nasceu em 1º de março de 1957, em Jackson, e cresceu cercado por música. Ainda jovem, tocou guitarra com nomes como Z.Z. Hill, Dorothy Moore e Sam Myers, absorvendo o espírito do blues diretamente de suas fontes vivas. Sua formação musical não foi apenas técnica — foi cultural. Jackson, especialmente a região da Farish Street, moldou seu ouvido e sua sensibilidade. Na década de 1980, Harmon se mudou para Los Angeles. Ali, construiu uma carreira sólida como músico de estúdio, compositor e produtor....

Love Sculpture: o blues galês que eletrificou o Reino Unido

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Love Sculpture: o blues galês que eletrificou o Reino Unido Uma banda galesa entre o blues e a ousadia Formada em Cardiff, no País de Gales, em 1966, a Love Sculpture foi um daqueles fenômenos breves que deixam marcas duradouras. Liderado pelo guitarrista e vocalista Dave Edmunds, o trio original contava ainda com John David no baixo e Rob “Congo” Jones na bateria. Antes disso, os músicos já tocavam juntos em outras formações locais, como The Human Beans, embrião direto da banda. Em um cenário britânico dominado por blues revival e experimentações psicodélicas, a Love Sculpture encontrou um caminho próprio: uma fusão visceral entre o blues tradicional, o rock elétrico e releituras inesperadas de peças clássicas. Essa identidade singular seria responsável por sua rápida ascensão — e também por sua curta existência. Blues Helping (1968): tradição com energia O álbum de estreia, Blues Helping , lançado em 1968 pela Parlophone, é um manifesto de reverência ao blues norte-americano. O dis...

Nathan Bell e o blues como consciência: a jornada até Demokracy Blues

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Nathan Bell e o blues como consciência: a jornada até Demokracy Blues Nathan Bell nunca foi apenas um cantor folk ou um compositor de Americana. Filho do poeta norte-americano Marvin Bell, ele cresceu cercado por palavras afiadas e imagens densas — uma herança que atravessaria toda a sua obra. Mais do que melodias, Bell construiu uma carreira baseada na narrativa, na observação social e em um compromisso quase literário com a realidade. Ao longo de mais de quatro décadas, tornou-se um daqueles artistas que operam fora do radar do mainstream, mas cuja relevância se mede pela profundidade do que dizem, não pelo volume de exposição. Uma trajetória à margem, mas essencial Desde os primeiros trabalhos, Nathan Bell mostrou interesse por personagens esquecidos e histórias invisíveis. Álbuns como Black Crow Blue (2011) e Blood Like a River (2014) revelam um compositor atento à vida comum, às tensões sociais e às contradições do sonho americano. Sua música sempre orbitou entre o folk, o bl...

Laura Chavez: quando a guitarra encontra sua própria voz

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Laura Chavez: quando a guitarra encontra sua própria voz Ainda tenho o costume de andar pelos corredores da Galeria do Rock, olhar vitrines, conversar com velhos vendedores e sair com um disco na mão, ansioso para chegar em casa e ouvi-lo em alto e bom som. É claro que também não dispenso as listas de lançamentos e as plataformas digitais. O problema é que você vai favoritando um número interminável de álbuns e não consegue ouvir tudo como se deve. Foi o que aconteceu com My Voice, o álbum solo de estreia de Laura Chavez, lançado no início do ano e que agora explode nos falantes com a força de quem não precisa pedir licença. Uma linguagem construída na estrada Laura Chavez não é um fenômeno repentino. Nascida na Califórnia, em 1982, sua trajetória foi moldada longe dos atalhos. Ainda jovem, mergulhou na cena local e encontrou na estrada o seu verdadeiro conservatório. Ao lado de Lara Price, passou anos tocando em clubes, bares e festivais — lugares onde o blues não admite truques. Fo...

SaRon Crenshaw: alma profunda e um blues que respira

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SaRon Crenshaw: alma profunda e um blues que respira Estou ouvindo um álbum de 2017 de um guitarrista chamado SaRon Crenshaw. Músicas longas, guitarras cortantes . Seu som carrega o eco dos mestres, mas não se limita a reverenciá-los — há algo ali que pulsa diferente, como se cada nota tivesse sido vivida antes de ser tocada. Esse álbum é “Drivin’” , um trabalho que não se apressa. São dez faixas distribuídas em dois discos, com mais de 80 minutos de duração — e várias delas ultrapassando os dez minutos, como se o tempo fosse apenas mais um elemento a ser moldado pelo blues . Um bluesman formado na estrada SaRon Crenshaw aprendeu guitarra ainda jovem, por volta dos dez anos, e construiu sua carreira longe dos atalhos. Nos anos 1970 e 1980, trabalhou como baixista em bandas que rodavam entre Nova Jersey, Nova York e Carolina do Sul — uma escola prática que moldou sua musicalidade e senso de groove . Antes de assumir de vez o protagonismo, dividiu palcos e experiências com nomes como Lee...