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Tom Principato: "Twangin!", um álbum sobre timbre, fraseado e maturidade

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Tom Principato: " Twangin!",  um álbum sobre timbre, fraseado e maturidade Tom Principato conhece profundamente o idioma da guitarra elétrica. Aos 74 anos, o músico de Washington, D.C., carrega mais de cinco décadas de estrada, milhares de apresentações e uma trajetória construída entre o blues, o rock, o country, o funk e as raízes da música americana. Em Twangin! , seu novo álbum lançado em 3 de abril de 2026 pela Powerhouse Records, ele escolhe deixar a guitarra falar sozinha. É uma escolha significativa. Este é o primeiro álbum de estúdio de Principato em 13 anos e também um trabalho inteiramente instrumental. Não há voz para conduzir a narrativa, nem letra para indicar o caminho. Restam as seis cordas, o ritmo, o espaço e a experiência de um guitarrista que passou a vida procurando novas maneiras de fazer uma nota dizer alguma coisa. O resultado é um disco de 11 faixas que passeia pelo blues, boogie, country, gospel, rock e pela tradição instrumental americana sem transf...

Buddy Moss: O blues de Atlanta antes de Blind Boy Fuller

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Buddy Moss: O blues de Atlanta antes de Blind Boy Fuller Eugene “Buddy” Moss nasceu em 16 de janeiro de 1914, em Jewell, uma pequena comunidade do condado de Warren, na Geórgia. Filho de uma família de trabalhadores rurais, cresceu em um ambiente em que a música fazia parte da vida cotidiana, mas foi na harmônica que encontrou, ainda muito jovem, sua primeira voz. Mais tarde, a guitarra transformaria essa voz em uma das expressões mais refinadas do blues do Piedmont. Moss pertence à geração que ajudou a definir o som do blues de Atlanta nas décadas de 1920 e 1930. Sua maneira de tocar reunia precisão rítmica, elegância melódica e aquela combinação tão característica do Piedmont entre linhas de baixo alternadas, síncopes e a agilidade quase pianística da mão direita. A New Georgia Encyclopedia o situa entre os principais músicos do country blues praticado em Atlanta naquele período e registra a definição do historiador Paul Oliver: Moss seria uma ligação entre Blind Blake e Blind Boy F...

Frank Stokes: O pai do Memphis blues

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Frank Stokes: O pai do Memphis blues Antes que Memphis se tornasse uma das capitais mundiais do blues, Frank Stokes já fazia da cidade um território musical. Violão nas mãos, uma voz poderosa e um repertório que atravessava blues, ragtime, canções populares, números de medicine shows e antigas músicas do Sul dos Estados Unidos, Stokes construiu nas ruas de Memphis uma linguagem própria. Seu nome hoje está ligado à formação do Memphis blues, mas sua história revela algo ainda mais interessante: ele foi um daqueles músicos que ajudaram a transformar a experiência cotidiana das ruas em uma nova maneira de tocar e cantar. Frank Stokes nasceu na região de Whitehaven, Tennessee, ao sul de Memphis. A data exata permanece controversa. O National Park Service registra 1º de janeiro de 1888, enquanto outras pesquisas apontam 1877 ou 1878. Órfão ainda criança, Stokes cresceu em Tutwiler, Mississippi, onde aprendeu a tocar guitarra e também a profissão de ferreiro. A música, porém, o levou regul...

Misty Blues: 27 Anos Mantendo o Blues em Movimento

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Misty Blues: 27 Anos Mantendo o Blues em Movimento Misty Blues nasceu no encontro entre o acaso e a escuta. Em 1999, Gina Coleman participava da montagem de A Raisin in the Sun , no Williamstown Theatre Festival, em Massachusetts, interpretando uma cantora gospel. Foi durante aquela temporada que o ator Ruben Santiago-Hudson percebeu algo na voz de Gina que talvez nem ela própria tivesse reconhecido completamente: havia ali uma cantora feita para o blues. Ao final da temporada, Santiago-Hudson entregou a Coleman uma coleção de gravações de mulheres do blues das décadas de 1920 a 1960 e a incentivou a seguir por aquele caminho. A recomendação encontrou terreno fértil. Gina já carregava uma história musical anterior, mas o blues abriria uma estrada nova, que permanece em movimento mais de duas décadas depois. Nascida e criada no South Bronx, em Nova York, Gina recebeu o primeiro piano aos cinco anos, presente do avô, e teve contato muito cedo com diferentes formas de fazer música. Na a...

Henry Spaulding: duas gravações e uma vida comum como barbeiro

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Henry Spaulding: duas gravações e uma vida comum como barbeiro Henry Spaulding deixou uma das discografias mais breves e, ao mesmo tempo, mais intrigantes do blues pré-guerra. Sua carreira fonográfica conhecida resume-se a apenas duas músicas, registradas em uma única sessão em Chicago, em 9 de maio de 1929 : “Cairo Blues” e “Biddle Street Blues” . As duas foram lançadas pela Brunswick no mesmo disco de 78 rotações, o Brunswick 7085. Por muito tempo, a história de Spaulding permaneceu praticamente restrita às lembranças de outros músicos e às notas das antigas compilações de blues. Henry Townsend, que se tornaria uma das figuras centrais do blues de St. Louis, contou que conheceu Spaulding ainda jovem, aprendeu com ele alguns de seus recursos de guitarra e costumava acompanhá-lo em festas. Townsend também descreveu Spaulding como um homem mais velho e barbeiro de profissão. Essa relação ajuda a compreender a importância de Spaulding. Seu violão tinha uma característica marcante: o us...

Bernie Pearl: o blues aprendido com os mestres e preservado na ponta dos dedos

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Bernie Pearl: o blues aprendido com os mestres e preservado na ponta dos dedos Bernie Pearl pertence a uma geração rara de músicos para quem o blues não chegou primeiro pelos discos, mas pela convivência. Nascido em 17 de outubro de 1939, em Los Angeles , o guitarrista cresceu em uma cidade que, a partir do pós-guerra, se transformaria em um dos importantes centros do blues e do rhythm and blues nos Estados Unidos. Sua formação musical aconteceu de maneira privilegiada. Pearl teve contato direto com alguns dos grandes nomes que ajudaram a construir a linguagem do blues moderno, entre eles Lightnin' Hopkins, Mance Lipscomb e Mississippi Fred McDowell . A convivência com esses mestres, somada ao ambiente do lendário Ash Grove, ajudou a moldar uma maneira de tocar profundamente ligada à tradição. O Ash Grove e uma escola chamada blues O Ash Grove ocupava um lugar especial na história musical de Los Angeles. O clube, administrado por Ed Pearl, irmão de Bernie, recebeu artistas de folk,...

The Cold Stares: "Texas" é estrada, peso e memória

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The Cold Stares: "Texas" é estrada, peso e memória Chris Tapp e Brian Mullins não precisaram de uma grande formação para produzir um som gigantesco. Quando começaram a construir a identidade de The Cold Stares , a ideia era quase o oposto: guitarra, bateria e a urgência de quem tinha histórias demais para guardar dentro de si. O resultado foi uma das formações mais contundentes do blues-rock contemporâneo americano. A história da banda está ligada ao oeste do Kentucky, onde Tapp e Mullins cresceram e tocaram juntos antes de seguirem caminhos diferentes. A amizade, porém, permaneceu. Quando voltaram a trabalhar juntos, encontraram na música uma maneira de reunir experiências pessoais, referências do blues e o peso do rock que os acompanhava desde a juventude. Do Kentucky para Evansville Embora The Cold Stares esteja sediado em Evansville, Indiana, sua identidade musical tem raízes profundas no Kentucky. Tapp e Mullins cresceram na região de Madisonville e carregam para a mú...