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SaRon Crenshaw: alma profunda e um blues que respira

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SaRon Crenshaw: alma profunda e um blues que respira Estou ouvindo um álbum de 2017 de um guitarrista chamado SaRon Crenshaw. Músicas longas, guitarras cortantes . Seu som carrega o eco dos mestres, mas não se limita a reverenciá-los — há algo ali que pulsa diferente, como se cada nota tivesse sido vivida antes de ser tocada. Esse álbum é “Drivin’” , um trabalho que não se apressa. São dez faixas distribuídas em dois discos, com mais de 80 minutos de duração — e várias delas ultrapassando os dez minutos, como se o tempo fosse apenas mais um elemento a ser moldado pelo blues . Um bluesman formado na estrada SaRon Crenshaw aprendeu guitarra ainda jovem, por volta dos dez anos, e construiu sua carreira longe dos atalhos. Nos anos 1970 e 1980, trabalhou como baixista em bandas que rodavam entre Nova Jersey, Nova York e Carolina do Sul — uma escola prática que moldou sua musicalidade e senso de groove . Antes de assumir de vez o protagonismo, dividiu palcos e experiências com nomes como Lee...

Harrell “Young Rell” Davenport: uma estreia com maturidade e respeito

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Harrell “Young Rell” Davenport: uma estreia com maturidade e respeito  A música de Harrell “Young Rell” Davenport nasce do atrito — entre gerações, entre tradição e urgência, entre o respeito absoluto aos mestres e a necessidade de dizer algo novo. Aos 19 anos, o jovem guitarrista e gaitista chega com um álbum de estreia que não pede licença: Young Rell , lançado pela Little Village, é um manifesto precoce de maturidade artística. Um herdeiro direto da escola da gaita de Chicago Não é exagero dizer que Davenport já carrega em sua formação uma linhagem nobre. Ao longo de sua curta, porém intensa trajetória, ele teve como mentores dois pilares do blues contemporâneo: Billy Branch e Matthew Skoller . Branch, figura histórica da gaita de Chicago, assina inclusive as notas do encarte do disco, enquanto Skoller atua como coprodutor do trabalho. Essa dupla de mentores não apenas orientou Davenport tecnicamente, mas ajudou a moldar sua identidade musical , conectando-o diretamente à tradi...

Peter Karp: o Blues industrial de New Jersey

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Peter Karp: o Blues industrial de New Jersey A música de Peter Karp nasce do atrito entre lugares, lembranças e experiências que nunca se acomodam por completo. Criado entre o peso industrial do Norte e os ecos do Sul profundo dos Estados Unidos, ele desenvolveu um blues em permanente deslocamento — um som que não se limita a sentir, mas que investiga, descreve e encara de frente aquilo que encontra pelo caminho. Das raízes à estrada: formação de um contador de histórias Ativo desde os anos 1980, Karp se consolidou como um artista de fronteira, transitando entre blues, folk, Americana e rock . Multi-instrumentista — guitarrista, pianista e vocalista —, ele nunca se limitou ao purismo do gênero. Sua música carrega o peso da experiência vivida, refletindo deslocamentos geográficos e emocionais que moldaram sua identidade artística. Ao longo de sua trajetória, Karp construiu uma reputação sólida como compositor, com canções que exploram temas como perda, fé, redenção e sobrevivên...

Johnny Dyer: o blues que ecoou de Rolling Fork ao West Coast

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Johnny Dyer: o blues que ecoou de Rolling Fork ao West Coast Nascido em 7 de dezembro de 1938, em Rolling Fork, Mississippi , Johnny Dyer carregou no próprio DNA a essência do blues. A pequena cidade — a mesma que viu crescer Muddy Waters — não era apenas um ponto no mapa, mas um território simbólico onde o som do Delta moldava destinos. E foi ali, ainda menino, que Dyer começou a trilhar seu caminho ao ouvir Little Walter no rádio , descobrindo na gaita uma extensão da própria alma. Da infância no Mississippi à eletrificação do blues Aprendendo harmônica aos sete anos, Dyer rapidamente absorveu o vocabulário do blues tradicional. Ainda adolescente, já liderava sua própria banda, inicialmente em forma acústica, antes de migrar para o som amplificado nos anos 1950 — um movimento que refletia a transformação do blues rural em urbano. O grande salto veio em 1958, quando se mudou para Los Angeles . Na Califórnia, encontrou um cenário pulsante e se aproximou de nomes fundamentais como Geor...

Lil' Ed: o slide que mantém o blues de Chicago em ebulição

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Lil' Ed: o slide que mantém o blues de Chicago em ebulição Hoje escrevo sobre Lil’ Ed Williams um guitarrista raro, visceral e inegociável. Nascido em 8 de abril de 1955, em Chicago, Illinois , ele não apenas herdou o blues: ele o transformou em combustível para uma carreira que atravessa décadas sem perder intensidade. Raízes: o legado de J.B. Hutto Para entender Lil’ Ed, é preciso voltar à linhagem familiar. Sobrinho do lendário J.B. Hutto , mestre do slide guitar, Ed cresceu imerso na tradição do West Side de Chicago. Foi Hutto quem lhe ensinou os fundamentos — não apenas técnicos, mas emocionais. “Eu não estaria aqui sem ele” , diria Ed anos depois, ecoando uma verdade que atravessa sua discografia: seu estilo é continuidade e reinvenção. Seu slide não é apenas ferramenta — é linguagem. Um idioma áspero, direto, carregado de história. O nascimento dos Blues Imperials A história da banda começa ainda nos anos 1970, quando Ed e seu meio-irmão, o baixista James “Pookie” Young , co...

James Harman: o gaitista que fez do blues uma narrativa refinada

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James Harman: o gaitista que fez do blues uma narrativa refinada James Harman nunca foi um bluesman de gestos exagerados. Sua arte habitava outro território: o da inteligência, da composição refinada e da construção coletiva. Nascido em 8 de junho de 1946, em Anniston, Alabama , Harman cresceu entre o piano da infância e as harmonicas esquecidas no banco do instrumento — um detalhe quase simbólico para quem viria a se tornar um dos mais respeitados gaitistas e compositores do blues moderno. Desde cedo, sua formação foi plural. Cantou em coral de igreja, estudou piano e, ainda adolescente, já transitava por bandas de rhythm & blues. Nos anos 1960, mudou-se para a Flórida e iniciou suas primeiras gravações profissionais, ainda longe da maturidade artística que alcançaria décadas depois. Da estrada ao coração da cena californiana O salto definitivo veio nos anos 1970, quando Harman se estabeleceu no sul da Califórnia. Ali, mergulhou na efervescente cena do blues da Costa Oeste, tocan...

Jimmy Thackery: uma carreira marcada por intensidade e tradição

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Jimmy Thackery: uma carreira marcada por intensidade e tradição Há guitarristas que tocam o blues. E há aqueles que parecem carregar o blues nas mãos como uma descarga elétrica contínua . Jimmy Thackery é um desses raros casos. Dono de um fraseado cortante, direto e visceral, o músico norte-americano construiu uma carreira sólida, forjada na estrada e alimentada por décadas de intensidade sonora. Das ruas de Washington ao nascimento dos Nighthawks Nascido em 19 de maio de 1953, em Pittsburgh, Pensilvânia , Jimmy Thackery foi criado em Washington, D.C., onde encontrou o ambiente perfeito para desenvolver sua identidade musical. Influenciado por nomes como Jimi Hendrix e Buddy Guy , ele rapidamente mergulhou no universo do blues elétrico. Em 1972, ao lado do gaitista Mark Wenner, Thackery cofundou os Nighthawks , uma das bandas mais importantes da cena blues da costa leste dos Estados Unidos. Durante cerca de 14 anos na banda , Thackery ajudou a moldar um som cru, energético e profundam...