Postagens

King Biscuit Boy: o gaitista canadense que levou o blues ao topo

Imagem
King Biscuit Boy: o gaitista canadense que levou o blues ao topo Um garoto, uma gaita e o chamado do rádio Richard Alfred Newell , nascido em 9 de março de 1944, em Hamilton, Ontário, cresceu ouvindo ecos distantes do blues que atravessavam a fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá pelas ondas do rádio. Foi assim, ainda jovem, que o som da gaita o encontrou — e nunca mais o deixou. Adotando o nome artístico King Biscuit Boy , inspirado no lendário programa de rádio King Biscuit Time , Newell transformou-se em um dos principais nomes do blues canadense. O apelido lhe foi dado por Ronnie Hawkins, figura central do rock e do rhythm & blues, que reconheceu no jovem gaitista um talento raro e visceral. Dos palcos locais ao circuito internacional A trajetória de King Biscuit Boy começou ainda no início dos anos 1960, com bandas como The Barons e The Mid-Knights . Mas foi ao lado de Ronnie Hawkins, no final da década, que seu nome começou a ganhar projeção. Após a dissolução da ba...

Zac Harmon: o blues encontra sua verdade ao vivo

Imagem
Zac Harmon: o blues encontra sua verdade ao vivo Há artistas que chegam ao blues como quem retorna para casa. Zac Harmon é um deles. Nascido em Jackson, Mississippi, berço de uma tradição musical profunda, Harmon construiu uma trajetória singular — que passa pelos bastidores da indústria musical, cruza o soul, o R&B e o reggae, e encontra sua expressão definitiva quando decide, enfim, gravar o próprio blues. Das raízes no Mississippi aos bastidores da indústria William Zach “Zac” Harmon nasceu em 1º de março de 1957, em Jackson, e cresceu cercado por música. Ainda jovem, tocou guitarra com nomes como Z.Z. Hill, Dorothy Moore e Sam Myers, absorvendo o espírito do blues diretamente de suas fontes vivas. Sua formação musical não foi apenas técnica — foi cultural. Jackson, especialmente a região da Farish Street, moldou seu ouvido e sua sensibilidade. Na década de 1980, Harmon se mudou para Los Angeles. Ali, construiu uma carreira sólida como músico de estúdio, compositor e produtor....

Love Sculpture: o blues galês que eletrificou o Reino Unido

Imagem
Love Sculpture: o blues galês que eletrificou o Reino Unido Uma banda galesa entre o blues e a ousadia Formada em Cardiff, no País de Gales, em 1966, a Love Sculpture foi um daqueles fenômenos breves que deixam marcas duradouras. Liderado pelo guitarrista e vocalista Dave Edmunds, o trio original contava ainda com John David no baixo e Rob “Congo” Jones na bateria. Antes disso, os músicos já tocavam juntos em outras formações locais, como The Human Beans, embrião direto da banda. Em um cenário britânico dominado por blues revival e experimentações psicodélicas, a Love Sculpture encontrou um caminho próprio: uma fusão visceral entre o blues tradicional, o rock elétrico e releituras inesperadas de peças clássicas. Essa identidade singular seria responsável por sua rápida ascensão — e também por sua curta existência. Blues Helping (1968): tradição com energia O álbum de estreia, Blues Helping , lançado em 1968 pela Parlophone, é um manifesto de reverência ao blues norte-americano. O dis...

Nathan Bell e o blues como consciência: a jornada até Demokracy Blues

Imagem
Nathan Bell e o blues como consciência: a jornada até Demokracy Blues Nathan Bell nunca foi apenas um cantor folk ou um compositor de Americana. Filho do poeta norte-americano Marvin Bell, ele cresceu cercado por palavras afiadas e imagens densas — uma herança que atravessaria toda a sua obra. Mais do que melodias, Bell construiu uma carreira baseada na narrativa, na observação social e em um compromisso quase literário com a realidade. Ao longo de mais de quatro décadas, tornou-se um daqueles artistas que operam fora do radar do mainstream, mas cuja relevância se mede pela profundidade do que dizem, não pelo volume de exposição. Uma trajetória à margem, mas essencial Desde os primeiros trabalhos, Nathan Bell mostrou interesse por personagens esquecidos e histórias invisíveis. Álbuns como Black Crow Blue (2011) e Blood Like a River (2014) revelam um compositor atento à vida comum, às tensões sociais e às contradições do sonho americano. Sua música sempre orbitou entre o folk, o bl...

Laura Chavez: quando a guitarra encontra sua própria voz

Imagem
Laura Chavez: quando a guitarra encontra sua própria voz Ainda tenho o costume de andar pelos corredores da Galeria do Rock, olhar vitrines, conversar com velhos vendedores e sair com um disco na mão, ansioso para chegar em casa e ouvi-lo em alto e bom som. É claro que também não dispenso as listas de lançamentos e as plataformas digitais. O problema é que você vai favoritando um número interminável de álbuns e não consegue ouvir tudo como se deve. Foi o que aconteceu com My Voice, o álbum solo de estreia de Laura Chavez, lançado no início do ano e que agora explode nos falantes com a força de quem não precisa pedir licença. Uma linguagem construída na estrada Laura Chavez não é um fenômeno repentino. Nascida na Califórnia, em 1982, sua trajetória foi moldada longe dos atalhos. Ainda jovem, mergulhou na cena local e encontrou na estrada o seu verdadeiro conservatório. Ao lado de Lara Price, passou anos tocando em clubes, bares e festivais — lugares onde o blues não admite truques. Fo...

SaRon Crenshaw: alma profunda e um blues que respira

Imagem
SaRon Crenshaw: alma profunda e um blues que respira Estou ouvindo um álbum de 2017 de um guitarrista chamado SaRon Crenshaw. Músicas longas, guitarras cortantes . Seu som carrega o eco dos mestres, mas não se limita a reverenciá-los — há algo ali que pulsa diferente, como se cada nota tivesse sido vivida antes de ser tocada. Esse álbum é “Drivin’” , um trabalho que não se apressa. São dez faixas distribuídas em dois discos, com mais de 80 minutos de duração — e várias delas ultrapassando os dez minutos, como se o tempo fosse apenas mais um elemento a ser moldado pelo blues . Um bluesman formado na estrada SaRon Crenshaw aprendeu guitarra ainda jovem, por volta dos dez anos, e construiu sua carreira longe dos atalhos. Nos anos 1970 e 1980, trabalhou como baixista em bandas que rodavam entre Nova Jersey, Nova York e Carolina do Sul — uma escola prática que moldou sua musicalidade e senso de groove . Antes de assumir de vez o protagonismo, dividiu palcos e experiências com nomes como Lee...

Harrell “Young Rell” Davenport: uma estreia com maturidade e respeito

Imagem
Harrell “Young Rell” Davenport: uma estreia com maturidade e respeito  A música de Harrell “Young Rell” Davenport nasce do atrito — entre gerações, entre tradição e urgência, entre o respeito absoluto aos mestres e a necessidade de dizer algo novo. Aos 19 anos, o jovem guitarrista e gaitista chega com um álbum de estreia que não pede licença: Young Rell , lançado pela Little Village, é um manifesto precoce de maturidade artística. Um herdeiro direto da escola da gaita de Chicago Não é exagero dizer que Davenport já carrega em sua formação uma linhagem nobre. Ao longo de sua curta, porém intensa trajetória, ele teve como mentores dois pilares do blues contemporâneo: Billy Branch e Matthew Skoller . Branch, figura histórica da gaita de Chicago, assina inclusive as notas do encarte do disco, enquanto Skoller atua como coprodutor do trabalho. Essa dupla de mentores não apenas orientou Davenport tecnicamente, mas ajudou a moldar sua identidade musical , conectando-o diretamente à tradi...