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Pink Anderson: um entertainer do Piedmont Blues

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Pink Anderson: um entertainer do Piedmont Blues Antes dos palcos elétricos e dos grandes festivais, o blues percorreu estradas de terra, feiras ambulantes e espetáculos itinerantes. Foi nesse universo híbrido entre música, humor e sobrevivência que floresceu a arte de Pink Anderson, um dos mais autênticos representantes do blues do Piedmont. Das raízes na Carolina do Sul ao palco dos medicine shows Nascido como Pinkney Anderson em 12 de fevereiro de 1900, na cidade de Laurens, Carolina do Sul, o músico cresceu em meio a uma tradição oral rica e profundamente enraizada na cultura afro-americana do sul dos Estados Unidos. Ainda criança, aprendeu a tocar violão e, por volta da adolescência, já estava inserido no circuito dos medicine shows , espetáculos itinerantes que misturavam música, comédia e a venda de supostos remédios milagrosos. Foi nesse contexto que Anderson desenvolveu sua identidade artística: um verdadeiro songster , capaz de transitar com naturalidade entre blues, ragtime,...

Gabe Stillman: o blues segue em movimento no álbum “What Happens Next?”

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Gabe Stillman: o blues segue em movimento no álbum “What Happens Next?”  Há uma inquietação que atravessa o novo blues contemporâneo — uma recusa em permanecer confortável demais dentro da tradição. É nesse território que o guitarrista e cantor Gabe Stillman finca sua identidade com “What Happens Next?” , álbum lançado em 27 de março de 2026 pela Gulf Coast Records , selo comandado por Mike Zito e Guy Hale. Mais do que um segundo trabalho, o disco soa como um ponto de virada: um artista jovem que decide não apenas tocar o blues, mas expandi-lo. Um blues que encara o presente Produzido por Anson Funderburgh , com produção executiva de Mike Zito, o álbum nasce com uma proposta clara: capturar a tensão entre incerteza e movimento. Como destacou o site Rock and Blues Muse, o disco é “enraizado no blues moderno, sem medo de ir além da tradição”, equilibrando intensidade emocional e energia crua. Essa proposta se reflete na escrita e na interpretação. Stillman mergulha em temas ...

Blind Boy Fuller: a voz urbana do Piedmont Blues na era da Grande Depressão

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Blind Boy Fuller: a voz urbana do Piedmont Blues na era da Grande Depressão Blind Boy Fuller não surgiu do silêncio — ele nasceu do ruído das ruas, do tilintar de moedas em calçadas poeirentas e do fluxo incessante dos trabalhadores nas cidades do tabaco da Carolina do Norte. Seu blues não era apenas música: era sobrevivência em forma de ritmo, crônica cantada de um tempo em que viver já era um ato de resistência. Origens e o peso da escuridão Nascido como Fulton Allen , provavelmente em 1907, em Wadesboro, Carolina do Norte , Blind Boy Fuller cresceu em meio à pobreza rural do sul dos Estados Unidos. Ainda jovem, começou a perder a visão — um processo gradual que o levaria à cegueira total no fim da década de 1920.  Foi justamente essa limitação que redefiniu seu destino. Sem acesso a trabalho formal, Fuller encontrou na música de rua uma forma de sustento. Nos cruzamentos de cidades como Winston-Salem, Durham e Raleigh , seu violão e sua voz tornaram-se ferramentas de sobrevivên...

Poison 13: o blues envenenado que saiu das sombras de Austin

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Poison 13: o blues envenenado que saiu das sombras de Austin Em meados dos anos 1980, quando Austin fervilhava entre o country alternativo e o punk de garagem, uma banda surgiu como um curto-circuito sonoro entre tradição e ruína. Poison 13 não foi apenas mais um nome do underground texano — foi um experimento elétrico onde o blues foi distorcido até se tornar algo quase irreconhecível, urgente e perigoso. Entre o blues e o colapso elétrico Formado por Mike Carroll (vocais), Bill Anderson (guitarra), Tim Kerr (guitarra e slide), Chris Gates (baixo) e Jim Kanan (bateria) , o Poison 13 nasceu em 1984 e rapidamente se destacou por uma abordagem que desafiava rótulos. Havia ali ecos do blues clássico, mas filtrados por uma estética punk crua e uma psicodelia suja, que aproximava a banda de um delírio sonoro mais do que de qualquer tradição ortodoxa. Parte dessa identidade vinha da ligação direta com a cena punk local. Tim Kerr e Chris Gates eram nomes fundamentais do Big Boys, grupo semi...

Mississippi Joe Callicott: ecos delicados do Delta que atravessaram o tempo

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Mississippi Joe Callicott: ecos delicados do Delta que atravessaram o tempo Nascido em 10 de outubro de 1899, em Nesbit, Mississippi, “Mississippi” Joe Callicott foi um daqueles artistas cuja música parece nascer da própria terra. Em um cenário rural marcado por trabalho duro e encontros comunitários, seu blues floresceu de maneira íntima, quase doméstica, moldado por encontros informais e pela tradição oral que sustentava o Delta no início do século XX. Desde cedo, Callicott desenvolveu um estilo de violão singular , caracterizado por uma delicadeza incomum e um fraseado preciso, que equilibrava melodia e ritmo com naturalidade. Sua trajetória inicial se entrelaça com a do guitarrista Garfield Akers, com quem tocou por anos. Juntos, participaram de sessões históricas em Memphis no final da década de 1920, incluindo a gravação de “Cottonfield Blues” (1929), um registro fundamental da transição entre os field hollers e o blues estruturado. Em 1930, Callicott registrou suas próprias can...

Robert Petway: o enigma que ecoa no coração do Delta

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Robert Petway: o enigma que ecoa no coração do Delta Robert Petway permanece como uma das figuras mais enigmáticas da história do blues. Sua trajetória, fragmentada e envolta em lacunas, reflete não apenas a precariedade dos registros sobre músicos negros do Delta do Mississippi, mas também a natureza oral e efêmera do próprio blues em suas origens. Entre datas incertas e relatos divergentes, o que se pode afirmar com segurança é que Petway nasceu no início do século XX — possivelmente entre 1903 e 1908 — e cresceu na região do Mississippi, onde absorveu e reproduziu a linguagem crua e direta do Delta blues. Entre o mito e o registro histórico Como ocorre com tantos bluesmen pré-guerra, as informações sobre sua vida são escassas e, muitas vezes, contraditórias. Algumas fontes indicam que Petway teria vivido nas proximidades de Yazoo City, enquanto outras sugerem origens imprecisas em áreas rurais do Delta. Essa incerteza não é exceção, mas regra: o blues era uma música transmitida de...

John Primer and Friends – Tribute to Theresa’s Lounge

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John Primer and Friends – Tribute to Theresa’s Lounge Há discos que não apenas revisitam o passado — eles reabrem portas. “Tribute to Theresa’s Lounge” é exatamente isso: um retorno visceral a um dos templos mais sagrados do blues de Chicago, onde o som era cru, elétrico e absolutamente humano. Sob a condução de John Primer , o álbum funciona como um rito coletivo, reunindo vozes e instrumentos que entendem que tradição não é nostalgia — é continuidade. Theresa’s Lounge: onde o blues respirava Para compreender a força deste trabalho, é preciso lembrar o que foi o Theresa’s Lounge . Localizado no South Side de Chicago, o clube foi, durante décadas, um dos epicentros do blues urbano. Ali, nomes como Muddy Waters, Junior Wells, Buddy Guy e Howlin’ Wolf ajudaram a moldar uma estética direta, sem concessões — uma música que falava da vida como ela é, sem polimento excessivo. O novo álbum de Primer não tenta “recriar” esse ambiente de forma artificial. Em vez disso, ele captura o espírito ...