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Artie “Blues Boy” White: o guardião dos palcos de Memphis

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Artie “Blues Boy” White: o guardião dos palcos de Memphis Artie “Blues Boy” White foi mais do que um músico. Foi um daqueles personagens essenciais que sustentam a cena musical longe dos holofotes — um verdadeiro guardião do blues em Memphis. Dono de clubes, promotor, cantor e entusiasta incansável, White ajudou a manter viva a chama do blues em uma das cidades mais importantes da história do gênero. Início de vida e conexão com o blues Nascido em 1937 , em Memphis, Tennessee, Artie White cresceu imerso na efervescência musical da região. A cidade, berço de lendas e cruzamento de influências do delta do Mississippi, moldou seu ouvido e sua visão artística desde cedo. Embora não tenha alcançado fama internacional como intérprete, White desenvolveu uma profunda conexão com o blues — não apenas como músico, mas como articulador cultural , alguém que compreendia a importância de manter os espaços onde o blues pudesse respirar. Bootsy’s Show Lounge: um templo do blues Seu maior ...

Frank Frost: o sopro cru do Arkansas que ecoou nos juke joints do sul

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Frank Frost: o sopro cru do Arkansas que ecoou nos juke joints do sul Há artistas que refinam o blues. Outros, como Frank Frost , fazem o oposto: mantêm o som em estado bruto, pulsando como madeira velha rangendo sob o peso da vida. Frost não apenas tocava gaita — ele respirava o blues como extensão do próprio corpo , transformando bares empoeirados do sul dos Estados Unidos em templos de ritmo e sobrevivência. Origens no Delta expandido Frank Otis Frost nasceu em 15 de abril de 1936 , em Auvergne, Arkansas, uma região profundamente conectada à tradição do Delta do Mississippi. Cresceu cercado por música, absorvendo desde cedo os sons que escapavam das plantações, dos rádios e dos encontros improvisados. Como muitos músicos de sua geração, aprendeu na prática — observando, ouvindo e tocando até o corpo entender o tempo certo das coisas . Antes de assumir a gaita como instrumento principal, Frost passou pela guitarra e pelo piano, o que ajudaria a moldar sua abordagem rítmica ún...

Jake Calypso: um retorno ritualístico às raízes do Delta

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Jake Calypso: um retorno ritualístico às raízes do Delta Há discos que não pedem atenção — eles exigem silêncio. 49 Highway Blues , encontro entre Jake Calypso e Stéphane Bihan, é um desses raros registros que parecem nascer não de um estúdio, mas de um lugar carregado de memória. Um disco que não tenta reinventar o blues. Ele faz algo mais difícil: reafirma sua alma . Gravado onde o blues ainda respira Lançado em março de 2026 pelos selos Around The Shack Records e Yokatta Records, o álbum foi registrado em Greenwood, Mississippi — território sagrado para o blues. Não por acaso, a gravação aconteceu a poucos metros do túmulo de Robert Johnson , como se cada nota precisasse dialogar com a história antes de existir. Essa escolha não é estética. É espiritual. 49 Highway Blues carrega a poeira das estradas, o calor do sul e o peso simbólico de um gênero que nasceu da necessidade de expressão mais crua e humana. Do rockabilly ao Delta: o caminho de Jake Calypso Conhecido por s...

Selwyn Birchwood: o blues elétrico que expande fronteiras

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Selwyn Birchwood: o blues elétrico que expande fronteiras Selwyn Birchwood surge no cenário contemporâneo como uma força criativa que recusa limites. Nascido na Flórida, o guitarrista, cantor e compositor construiu uma trajetória marcada pela ousadia sonora e pela reverência às raízes do blues. Seu trabalho é uma ponte viva entre tradição e reinvenção — um território onde o Mississippi encontra o psicodelismo, o funk e a pulsação do soul sulista. Desde cedo, Birchwood demonstrou inquietação musical. Influenciado por mestres do blues e guiado por uma curiosidade quase científica, ele encontrou no instrumento não apenas uma forma de expressão, mas um campo de experimentação. Sua passagem pela cena universitária e o encontro com o lendário mentor Sonny Rhodes foram decisivos. Com Rhodes, Birchwood absorveu não apenas técnica, mas uma filosofia: o blues como linguagem viva, em constante transformação. Essa formação se reflete em sua abordagem singular. Birchwood alterna entre a gui...

Shakey Jake Harris: os dados, a gaita e a alma do blues de Chicago

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Shakey Jake Harris: os dados, a gaita e a alma do blues de Chicago Raízes no Arkansas e o chamado da cidade grande James D. “Shakey Jake” Harris nasceu em 12 de abril de 1921, em Earle, Arkansas, uma região profundamente marcada pelas tradições do blues rural. Ainda criança, mudou-se com a família para Chicago, cidade que, nas décadas seguintes, se tornaria o epicentro elétrico do blues urbano. Shakey Jake Harris cresceu em meio à efervescência cultural do South Side, absorvendo os sons que moldariam sua identidade musical. Entre dados, oficinas e a gaita blues Antes de consolidar sua trajetória musical, Harris viveu uma rotina multifacetada: trabalhou como mecânico e também como jogador profissional. Foi justamente desse universo das apostas que surgiu o apelido “Shakey Jake”, derivado da expressão dos dados “shake ‘em”. Essa dualidade entre a vida dura e o improviso do jogo refletiria mais tarde em seu estilo musical espontâneo e visceral. No final dos anos 1940, já inserido...

Greg Koch: transformando técnica em linguagem viva do blues

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Greg Koch: transformando técnica em linguagem viva do blues A gênese de um guitarrista singular Nascido em Milwaukee, nos Estados Unidos, Greg Koch construiu uma trajetória que desafia rótulos e expectativas. Longe do estrelato convencional, tornou-se aquilo que muitos músicos reconhecem imediatamente: um “guitar player’s guitarist” , respeitado por seus pares e reverenciado por quem compreende a linguagem do instrumento em profundidade. Desde cedo, Koch mergulhou no universo das seis cordas, influenciado por nomes como Jimi Hendrix , absorvendo não apenas técnica, mas atitude. Ainda adolescente, já demonstrava uma curiosidade musical incomum, que o levou a estudar jazz na universidade e a desenvolver uma abordagem híbrida, combinando blues, rock, funk e improvisação com personalidade própria.  Uma carreira construída fora do óbvio Ao longo de décadas, Greg Koch construiu uma discografia sólida, marcada por mais de quinze álbuns e uma impressionante diversidade sonora. P...

John Brim: o bluesman por trás de um clássico que atravessou gerações

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John Brim: o bluesman por trás de um clássico que atravessou gerações Na vastidão do blues de Chicago, onde nomes como Muddy Waters e Howlin’ Wolf ecoam com força histórica, há figuras cuja importância se revela nas entrelinhas — nos riffs, nas composições e nas gravações que atravessam gerações. John Brim é uma dessas vozes essenciais. Guitarrista, cantor e compositor, Brim construiu uma obra sólida e influente, eternizada sobretudo por uma canção que ultrapassou as fronteiras do blues: “Ice Cream Man” , regravada décadas depois pelo Van Halen em seu álbum de estreia. Das raízes no sul ao som elétrico de Chicago John Brim nasceu em 10 de abril de 1922 , no estado do Mississippi , berço de uma tradição musical que moldaria o blues como linguagem universal. Cresceu imerso nesse ambiente, absorvendo influências diretas de mestres como T-Bone Walker e dos pioneiros do Delta. Ainda jovem, mudou-se para Chicago, como tantos outros músicos afro-americanos em busca de oportunidades d...