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Harry Manx: o blues que atravessou o mundo

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Harry Manx: o blues que atravessou o mundo Harry Manx aprendeu cedo que o blues não precisava permanecer parado no mesmo lugar. Nascido na Ilha de Man e criado no Canadá, ele passou boa parte da vida em movimento, atravessando países, culturas e tradições musicais até encontrar uma linguagem própria. No centro dessa trajetória estão a guitarra slide, a harmônica, o banjo e, principalmente, a Mohan Veena, instrumento de vinte cordas que se tornou uma das marcas de sua música. Antes de construir uma carreira como cantor, compositor e multi-instrumentista, Manx conheceu o blues de perto, nos bastidores. Ainda adolescente, começou a trabalhar como roadie e posteriormente tornou-se técnico de som no lendário El Mocambo, em Toronto. Foi ali que entrou em contato com alguns dos grandes nomes do gênero e entendeu que, mais do que uma coleção de fórmulas, o blues carregava uma maneira particular de sentir o tempo, o silêncio e o groove. Essa experiência ajudaria a definir seu caminho. Aos 20 an...

The Sons of Blues: O Chicago Blues dos Anos 80

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The Sons of Blues: O Chicago Blues dos Anos 80 Quando Billy Branch começou a reunir jovens músicos em Chicago nos anos 1970, o blues da cidade atravessava uma mudança de geração. Os grandes nomes continuavam ocupando os palcos, mas uma nova turma já aprendia o idioma diretamente com eles, dentro dos clubes, das bandas e das famílias que carregavam aquela música de uma década para outra. Foi nesse ambiente que nasceram os Sons of Blues. A história do grupo está profundamente ligada a Branch, um dos grandes harmonicistas surgidos no Chicago Blues moderno. Nascido em 3 de outubro de 1951, em Great Lakes, Illinois, ele se mudou para Chicago ainda jovem e mergulhou na cena local. Em 1975, passou a integrar a banda de Willie Dixon, ocupando o posto de gaitista que havia sido de Carey Bell. Pouco depois, começaria a montar sua própria banda. Os filhos do blues O nome Sons of Blues não foi escolhido por acaso. A primeira formação reunia Billy Branch na harmônica e nos vocais, Lurrie Bell na gu...

Crystal Shawanda: o blues como caminho de volta

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Crystal Shawanda: o blues como caminho de volta Crystal Shawanda canta como quem conhece o peso de uma história antes mesmo de transformá-la em música. Sua voz tem força, mas não depende apenas dela. Há experiência, memória, pertencimento e uma espécie de liberdade conquistada ao longo de uma trajetória que começou em Wiikwemkoong First Nation, na ilha Manitoulin, em Ontário, e passou por Nashville antes de encontrar no blues um território muito mais próximo de suas raízes musicais. Shawanda cresceu em uma família onde a música fazia parte da vida cotidiana. O country veio dos pais. O blues chegou principalmente através do irmão mais velho, que apresentou à menina os discos que despertariam uma paixão duradoura. Antes de chegar à adolescência, ela já cantava e se apresentava. Aos poucos, aquela voz criada em uma comunidade indígena do norte de Ontário começou a ganhar distância de sua origem. Nashville seria o próximo destino. De Wiikwemkoong a Nashville No começo dos anos 2000, Shawan...

Corey Harris: atravessando fronteiras sem perder a força do blues

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Corey Harris: atravessando fronteiras sem perder a força do blues Corey Harris aprendeu cedo que o blues não termina onde começa outra música. Nascido em Denver, Colorado, em 21 de fevereiro de 1969, ele construiu uma carreira justamente nos espaços de encontro: entre o Delta do Mississippi e Nova Orleans, entre a tradição afro-americana e as sonoridades africanas, entre o blues rural e o reggae, o soul e o gospel. Essa vocação para atravessar fronteiras não nasceu de uma estratégia de mercado. Faz parte da formação de Harris. Filho de uma família com raízes no Texas e no Kentucky, começou a tocar guitarra aos 12 anos, influenciado pelos discos de Lightnin’ Hopkins que pertenciam à mãe. Na adolescência, passou pelo rock’n’roll e pela banda marcial da escola, enquanto a igreja ajudava a desenvolver sua relação com a voz. Na Bates College, no Maine, estudou antropologia e aprofundou o interesse pelas culturas africanas. No início dos anos 1990, viveu durante um ano em Camarões, experiênc...

EB Davis: do Arkansas à Berlim do blues

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EB Davis: do Arkansas à Berlim do blues Antes de fazer de Berlim sua casa e de transformar o blues em uma espécie de passaporte entre culturas, EB Davis conheceu a música no lugar onde ela fazia parte da vida cotidiana. Nascido em 1945, em Elaine, no Arkansas Delta, e criado em Memphis, Tennessee, ele cresceu cercado por uma cidade que, naquele período, ainda pulsava ao redor da Beale Street. Estava nos bares, nas ruas, nas jam sessions e nas vozes dos músicos que circulavam pela cidade. Davis conta que tinha cerca de seis ou sete anos quando ouviu blues pela primeira vez. A lembrança ficou. Mais tarde, adolescente, passou a acompanhar de perto aquela cena musical. Em entrevista à revista Jefferson Blues , ele recordou que nomes como Junior Parker, B.B. King, Roscoe Gordon, Gatemouth Moore e Ike Turner podiam ser vistos com frequência em Memphis. Como não tinha idade para entrar nos clubes, muitas vezes escutava os músicos do lado de fora. Memphis, Beale Street e a descoberta de uma pr...

Jesse Fuller: o homem que virou uma banda inteira

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Jesse Fuller: o homem que virou uma banda inteira Jesse Fuller aprendeu cedo que, para fazer música, nem sempre era preciso esperar que alguém chegasse para acompanhá-lo. Nascido em 12 de março de 1896, em Jonesboro, na Geórgia, ele atravessou boa parte da vida entre trabalhos, viagens e pequenas apresentações até encontrar, já na maturidade, uma maneira absolutamente particular de transformar suas experiências em canções. Quando morreu em Oakland, Califórnia, em 29 de janeiro de 1976, aos 79 anos, Fuller havia deixado muito mais do que San Francisco Bay Blues , sua composição mais conhecida. Deixara também uma ideia musical: a de que um único intérprete poderia carregar no corpo inteiro o ritmo, a harmonia, a percussão e a narrativa de uma pequena banda. Da Geórgia à Califórnia A infância de Fuller foi difícil. Ainda menino, passou a viver longe da mãe e, segundo os registros biográficos preservados sobre sua trajetória, enfrentou condições de vida bastante duras. Trabalhou em diferen...

Hayes McMullan: um capítulo pouco conhecido do blues do Mississippi

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Hayes McMullan: um capítulo pouco conhecido do blues do Mississippi Hayes McMullan passou boa parte da vida longe dos palcos, dos discos e da ideia de construir uma carreira musical. Quando sua voz finalmente chegou aos registros, ele já era um homem idoso e carregava décadas de histórias, trabalho no campo, igreja e vida comunitária. O que poderia ter sido apenas uma lembrança perdida do blues do Mississippi acabou se transformando, muitos anos depois, em um dos documentos mais singulares sobre a tradição do Delta. Nascido em 1902, no Mississippi, McMullan cresceu em um ambiente no qual a música fazia parte da vida cotidiana. Seu irmão Tom foi seu primeiro professor de violão, quando Hayes ainda tinha quatro anos. A música o acompanhou pela juventude e o levou a circular por festas, juke joints e outros espaços onde o blues sobrevivia como música de trabalho, dança, bebida, desejo e sobrevivência. Foi nesse período que McMullan conheceu músicos importantes do Delta. Entre eles estava ...