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Warner Williams: raízes e caminhos do blues da Costa Leste

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Warner Williams: raízes e caminhos do blues da Costa Leste Warner Williams nasceu em 1930, em Takoma Park, Maryland, nos arredores de Washington, D.C. Cresceu em uma casa onde a música fazia parte da vida cotidiana e encontrou no violão um companheiro para atravessar décadas de transformações na música americana. Cantor de voz áspera, instrumentista de toque ágil e conhecedor de um repertório que ultrapassava as fronteiras do blues, Williams construiu uma trajetória singular sem abandonar as raízes que moldaram sua formação. Seu primeiro contato com a música veio da própria família. O pai tocava violão, violino e piano, enquanto a mãe cantava hinos religiosos. Entre os oito irmãos e as três irmãs, todos cantavam ou tocavam algum instrumento. A música acontecia em casa, nas reuniões familiares e nas apresentações informais. Ainda jovem, Warner começou a tocar em público, primeiro nas ruas de Washington e, depois, em estabelecimentos noturnos da capital americana. Na adolescência, ...

Sean Costello: o blues que amadureceu depressa demais

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Sean Costello: o blues que amadureceu depressa demais Sean Costello nasceu na Filadélfia, em 16 de abril de 1979, mas foi em Atlanta que sua história musical ganhou forma. A família se mudou para a Geórgia quando ele tinha nove anos e, pouco depois, o garoto começou a tocar guitarra. Primeiro vieram o rock pesado e a curiosidade de quem queria entender o instrumento. Então apareceu o blues. Um dia, encontrou uma fita de Howlin’ Wolf numa loja de discos e, a partir dali, sua direção ficou muito mais clara. Costello cresceu cercado por uma tradição que não enxergava o blues como peça de repertório, mas como linguagem. O guitarrista Felix Reyes tornou-se um de seus primeiros mentores e ajudou a desenvolver no jovem músico algo que permaneceria essencial em sua carreira: ouvir antes de tocar. Mais tarde, Ronnie Earl ampliaria essa formação, enquanto nomes como Levon Helm e Donnie McCormick também deixariam marcas profundas em sua maneira de pensar música, composição e palco. A precocida...

Jared James Nichols: o blues-rock em alta voltagem no álbum Louder Than Fate

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Jared James Nichols: o blues-rock em alta voltagem no álbum Louder Than Fate Jared James Nichols toca como quem não acredita muito em atalhos. A guitarra vem sem palheta, o amplificador trabalha no limite e cada bend parece carregar uma dose de urgência. No meio desse som pesado, há uma linguagem construída sobre o blues, mas que nunca se contentou em permanecer parada no passado. Nascido em 14 de março de 1989, em Waukesha, Wisconsin, Nichols cresceu em East Troy, uma pequena comunidade que ficava a poucos minutos do Alpine Valley Resort, palco de um dos últimos shows de Stevie Ray Vaughan, em 1990. A proximidade com aquele universo musical ajudou a formar seu imaginário, mas sua relação com o blues começou de maneira ainda mais direta: adolescente, levado pela mãe a uma jam local, ele encontrou músicos mais velhos e descobriu que aquela música dependia muito menos de regras do que de atitude, escuta e sentimento. Ele tinha 14 anos quando ganhou a primeira guitarra. O instrumento rapi...

Jerron Paxton: tradição, memória e um blues que continua mudando

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Jerron Paxton: tradição, memória e um blues que continua mudando Jerron Paxton nasceu em Los Angeles, em 26 de janeiro de 1989, mas boa parte da música que o formou veio de muito mais longe. Sua família carregava raízes profundas na Louisiana, e foi dentro de casa, sobretudo ao lado da avó, que ele começou a entender que determinadas canções não pertenciam apenas ao passado. Elas eram parte da vida. Criado em South Central Los Angeles, Paxton cresceu cercado por histórias, comida, costumes e músicas trazidas do Sul por sua família. A migração dos parentes da Louisiana para a Califórnia, na década de 1950, criou uma espécie de ponte cultural que atravessava gerações. O menino que escutava a avó cantar e tocar acabaria encontrando nessa herança o caminho para se tornar um dos mais interessantes intérpretes contemporâneos da música negra tradicional americana. O encontro decisivo com o blues aconteceu ainda na infância. Por volta dos oito anos, Paxton ouviu gravações antigas de artista...

CeDell Davis: o blues sem concessões de um sobrevivente do Delta

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CeDell Davis: o blues sem concessões de um sobrevivente do Delta CeDell Davis não precisava soar como ninguém. Nascido em Helena, Arkansas, em 9 de junho de 1926, Ellis CeDell Davis cresceu no universo musical do Delta do Mississippi, cercado por músicos, rádios, igrejas, juke joints e pelas histórias que circulavam entre as comunidades negras do Sul. O que viria a transformar sua maneira de tocar, porém, não nasceu de uma escolha estética. Foi uma resposta à vida. Aos quatro anos, Davis foi morar com parentes na plantação E. M. Hood, perto de Tunica, Mississippi. Ali conheceu Isaiah Ross, que mais tarde ficaria conhecido como Dr. Ross the Harmonica Boss. Os dois começaram a descobrir a música juntos. Davis passou pela harmônica e chegou ao violão, depois de experimentar o diddley bow, aquele instrumento rudimentar de uma única corda preso a uma superfície, tão associado às raízes do blues rural. Aos nove anos, contraiu poliomielite. Depois de quase dois anos internado em Little Roc...

Gyasi encontra o blues das montanhas em Songs From The Holler

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Gyasi encontra o blues das montanhas em Songs From The Holler Gyasi costuma ocupar o palco como quem acende um fósforo perto de um tanque de gasolina. Glam rock, guitarras elétricas, figurinos exuberantes e uma presença cênica construída para não passar despercebida fazem parte do vocabulário do músico de West Virginia. Em Songs From The Holler , porém, quase tudo isso fica do lado de fora. O que permanece é a guitarra, a voz e uma relação antiga com o blues. Lançado em 18 de setembro de 2026 pela Alive Naturalsound Records, o álbum representa uma mudança radical de perspectiva para Gyasi Heus. Em vez da eletricidade e do impacto de seus trabalhos ligados ao glam rock, ele retorna às montanhas de West Virginia, onde cresceu, para revisitar a música que ouviu desde a infância. O resultado é um disco de folk-blues essencialmente acústico, construído com economia de recursos e atenção aos detalhes. De volta ao holler A palavra “holler”, presente no título, ajuda a entender o espírito do p...

Harry Manx: o blues que atravessou o mundo

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Harry Manx: o blues que atravessou o mundo Harry Manx aprendeu cedo que o blues não precisava permanecer parado no mesmo lugar. Nascido na Ilha de Man e criado no Canadá, ele passou boa parte da vida em movimento, atravessando países, culturas e tradições musicais até encontrar uma linguagem própria. No centro dessa trajetória estão a guitarra slide, a harmônica, o banjo e, principalmente, a Mohan Veena, instrumento de vinte cordas que se tornou uma das marcas de sua música. Antes de construir uma carreira como cantor, compositor e multi-instrumentista, Manx conheceu o blues de perto, nos bastidores. Ainda adolescente, começou a trabalhar como roadie e posteriormente tornou-se técnico de som no lendário El Mocambo, em Toronto. Foi ali que entrou em contato com alguns dos grandes nomes do gênero e entendeu que, mais do que uma coleção de fórmulas, o blues carregava uma maneira particular de sentir o tempo, o silêncio e o groove. Essa experiência ajudaria a definir seu caminho. Aos 20 an...