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Janiva Magness: "Truth In The Room", uma história cantada ao vivo

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Janiva Magness: "Truth In The Room", uma história cantada ao vivo Janiva Magness canta como quem conhece o peso das palavras antes mesmo de pronunciá-las. Sua voz não procura esconder as marcas da estrada; transforma experiência em matéria musical, aproximando blues, soul, R&B e Americana com uma intensidade que se tornou sua assinatura. Nascida em Detroit, Michigan, em 30 de janeiro de 1957, Janiva cresceu cercada por diferentes formas de música. O blues e o country presentes na coleção de discos de seu pai dividiram espaço com o soul que chegava pelo rádio e ajudaram a formar uma escuta que, décadas mais tarde, não caberia dentro das fronteiras de um único gênero. Sua história pessoal foi atravessada por perdas e instabilidade ainda muito cedo. A música acabaria encontrando espaço justamente nesse território difícil, não como simples fuga, mas como uma maneira de reorganizar a própria existência. Um encontro decisivo aconteceu quando ela assistiu a uma apresentação de O...

Louis Myers: a guitarra por trás dos Aces e uma vida dedicada ao Chicago Blues

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Louis Myers: a guitarra por trás dos Aces e uma vida dedicada ao Chicago Blues Louis Myers nasceu em 18 de setembro de 1929, em Byhalia, Mississippi, e morreu em 5 de setembro de 1994, em Chicago. Entre essas duas datas está uma história profundamente ligada à transformação do blues sulista em uma das linguagens elétricas mais influentes da música americana. Myers chegou a Chicago em 1941, ainda adolescente, acompanhando a mudança da família para a cidade. O blues já fazia parte de sua formação: seu pai, Amos Myers, era músico e havia apresentado aos filhos os fundamentos do instrumento. Em Chicago, porém, Louis encontrou um universo musical muito mais amplo. A família morou próxima ao lendário guitarrista Lonnie Johnson, cuja sofisticação harmônica deixou marcas importantes em sua maneira de tocar. O jovem guitarrista passou a circular pelo circuito do South Side e a tocar em festas e pequenos eventos. Entre os músicos com quem conviveu estavam Othum Brown, Arthur “Big Boy” Spires e ...

Matthew Curry: o blues-rock de quem nasceu para a estrada

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Matthew Curry: o blues-rock de quem nasceu para a estrada Matthew Curry nasceu em 23 de maio de 1995 e cresceu em Bloomington, Illinois, cercado por música e por uma guitarra que chegou cedo à sua vida. Aos quatro anos, começou a tocar com o incentivo do pai. Aos oito, já subia ao palco. Aos onze, liderava sua própria banda e começava a transformar a experiência de tocar em uma linguagem autoral. A precocidade, porém, nunca foi o único argumento de Curry. O que veio depois foi uma construção paciente de identidade, entre o blues, o rock, o southern rock e a tradição country norte-americana. Canhoto, Curry encontrou na guitarra elétrica uma espécie de extensão natural do próprio corpo. Influenciado por nomes como ZZ Top e Stevie Ray Vaughan, desenvolveu uma maneira de tocar em que o virtuosismo não aparece separado da canção. A guitarra pode avançar, incendiar um refrão ou abrir espaço para um solo, mas permanece ligada à narrativa que sustenta cada composição. Ainda adolescente, essa...

Little Willie Littlefield: O piano que fez o blues andar mais depressa

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Little Willie Littlefield: O piano que fez o blues andar mais depressa Little Willie Littlefield nasceu em 16 de setembro de 1931, em El Campo, Texas, mas foi em Houston que sua música começou a ganhar forma. Ainda adolescente, ele já tocava em clubes da cidade e demonstrava uma combinação pouco comum de domínio do piano, voz vigorosa e um senso rítmico capaz de transformar o boogie-woogie em algo mais urbano, mais urgente e mais próximo do rhythm & blues que estava nascendo. Seu instrumento não era apenas acompanhamento. O piano de Littlefield conduzia a música. As mãos avançavam sobre as teclas com uma pulsação marcada, sincopada e cheia de movimento, enquanto sua voz carregava a tradição do blues para dentro de uma linguagem que começava a apontar para o rock and roll. Entre suas referências estavam pianistas como Albert Ammons, além de músicos como Charles Brown e Amos Milburn. Essa combinação ajuda a compreender sua importância: Littlefield estava no ponto de encontro entre o ...

Um blues feito de madeira, ferrugem e memória

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Seasick Steve: Um blues feito de madeira, ferrugem e memória Seasick Steve chegou ao grande público quando já carregava uma vida inteira de música nas costas. Em vez de surgir como uma nova promessa, apareceu na televisão britânica no fim de 2006 com barba, chapéu, uma guitarra de três cordas e um jeito de tocar que parecia ter atravessado décadas sem pedir licença ao tempo. A apresentação de Dog House Boogie no programa Jools Holland's Hootenanny , na virada daquele ano, transformou Steven Gene Wold em uma das figuras mais improváveis do blues contemporâneo. Nascido em Oakland, Califórnia, em 19 de março de 1951, Steve cresceu cercado pela música americana. O pai tocava piano e sua formação musical passou por uma coleção doméstica que reunia jazz, rhythm and blues, country e os sons que ajudaram a construir a paisagem musical dos Estados Unidos no século XX. Entre suas primeiras referências estavam nomes como The Ink Spots, The Mills Brothers, Ella Fitzgerald, Louis Armstrong, Ha...

Uma Playlist pra Ouvir a Semana Toda

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Uma Playlist pra Ouvir a Semana Toda Uma boa semana de blues pode começar em Chicago, atravessar o Mississippi, passar pelo Alabama, chegar ao Texas e terminar na estrada. Esta seleção reúne sete álbuns lançados entre 1965 e 2021 que, cada um à sua maneira, ajudaram a deslocar o blues de lugar. São discos que preservam uma tradição, mas também registram momentos em que seus autores decidiram empurrar a música para frente. Não é uma lista dos “melhores álbuns de blues de todos os tempos”. A proposta é outra: montar uma semana de escuta a partir de sete discos que representam momentos decisivos nas trajetórias de Junior Wells, Albert King, Robert Cray, Stevie Ray Vaughan, Gary Clark Jr., Samantha Fish e Tommy Castro. Sete dias. Sete discos. Sete maneiras diferentes de entender por que o blues continua se reinventando. Segunda-feira — Junior Wells: Hoodoo Man Blues (1965) A semana começa onde o blues elétrico de Chicago parece respirar dentro de uma pequena sala. Hoodoo Man Blues , lan...

Tom Principato: "Twangin!", um álbum sobre timbre, fraseado e maturidade

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Tom Principato: " Twangin!",  um álbum sobre timbre, fraseado e maturidade Tom Principato conhece profundamente o idioma da guitarra elétrica. Aos 74 anos, o músico de Washington, D.C., carrega mais de cinco décadas de estrada, milhares de apresentações e uma trajetória construída entre o blues, o rock, o country, o funk e as raízes da música americana. Em Twangin! , seu novo álbum lançado em 3 de abril de 2026 pela Powerhouse Records, ele escolhe deixar a guitarra falar sozinha. É uma escolha significativa. Este é o primeiro álbum de estúdio de Principato em 13 anos e também um trabalho inteiramente instrumental. Não há voz para conduzir a narrativa, nem letra para indicar o caminho. Restam as seis cordas, o ritmo, o espaço e a experiência de um guitarrista que passou a vida procurando novas maneiras de fazer uma nota dizer alguma coisa. O resultado é um disco de 11 faixas que passeia pelo blues, boogie, country, gospel, rock e pela tradição instrumental americana sem transf...

Buddy Moss: O blues de Atlanta antes de Blind Boy Fuller

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Buddy Moss: O blues de Atlanta antes de Blind Boy Fuller Eugene “Buddy” Moss nasceu em 16 de janeiro de 1914, em Jewell, uma pequena comunidade do condado de Warren, na Geórgia. Filho de uma família de trabalhadores rurais, cresceu em um ambiente em que a música fazia parte da vida cotidiana, mas foi na harmônica que encontrou, ainda muito jovem, sua primeira voz. Mais tarde, a guitarra transformaria essa voz em uma das expressões mais refinadas do blues do Piedmont. Moss pertence à geração que ajudou a definir o som do blues de Atlanta nas décadas de 1920 e 1930. Sua maneira de tocar reunia precisão rítmica, elegância melódica e aquela combinação tão característica do Piedmont entre linhas de baixo alternadas, síncopes e a agilidade quase pianística da mão direita. A New Georgia Encyclopedia o situa entre os principais músicos do country blues praticado em Atlanta naquele período e registra a definição do historiador Paul Oliver: Moss seria uma ligação entre Blind Blake e Blind Boy F...

Frank Stokes: O pai do Memphis blues

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Frank Stokes: O pai do Memphis blues Antes que Memphis se tornasse uma das capitais mundiais do blues, Frank Stokes já fazia da cidade um território musical. Violão nas mãos, uma voz poderosa e um repertório que atravessava blues, ragtime, canções populares, números de medicine shows e antigas músicas do Sul dos Estados Unidos, Stokes construiu nas ruas de Memphis uma linguagem própria. Seu nome hoje está ligado à formação do Memphis blues, mas sua história revela algo ainda mais interessante: ele foi um daqueles músicos que ajudaram a transformar a experiência cotidiana das ruas em uma nova maneira de tocar e cantar. Frank Stokes nasceu na região de Whitehaven, Tennessee, ao sul de Memphis. A data exata permanece controversa. O National Park Service registra 1º de janeiro de 1888, enquanto outras pesquisas apontam 1877 ou 1878. Órfão ainda criança, Stokes cresceu em Tutwiler, Mississippi, onde aprendeu a tocar guitarra e também a profissão de ferreiro. A música, porém, o levou regul...