La Blues Label: o novo blues argentino ganha voz em Permiso Para Soñar

La Blues Label: o novo blues argentino ganha voz em Permiso Para Soñar



Há bandas que chegam ao blues pela tradição. Outras chegam pelo rock. E existem aquelas que parecem encontrar o gênero no meio do caminho, como quem descobre uma estrada antiga e decide seguir por ela sem abandonar o próprio mapa. É nesse território que surge a La Blues Label, banda argentina liderada por Tomás Batto, que acaba de lançar seu primeiro álbum, Permiso Para Soñar.

O disco chegou às plataformas em 6 de agosto de 2026, reunindo 11 faixas e aproximadamente 48 minutos de música. O lançamento marca uma nova etapa para um grupo que já havia apresentado parte de seu universo musical em singles e, em 2025, na La Blues Label (Live Session Obelisco).

Um blues que nasce em Buenos Aires

A própria banda define sua origem a partir de uma combinação de destino, coincidências e sincronicidade. Sob a liderança de Tomás Batto, a La Blues Label reúne seis músicos e toma o blues rock como ponto de partida para construir uma identidade própria. Segundo a apresentação oficial do grupo disponível no Spotify, as composições combinam a tradição do blues com uma perspectiva existencial e poética, incorporando elementos de jazz e funk.

Essa definição é importante porque ajuda a entender por que a banda chama atenção. A La Blues Label não parece interessada em reproduzir o blues como apenas uma cópia. O gênero aparece como linguagem, estrutura e ponto de partida para canções que dialogam diretamente com o rock argentino e com uma sensibilidade contemporânea.

É justamente aí que Permiso Para Soñar ganha personalidade. Em vez de tentar esconder suas referências, a banda as utiliza como matéria-prima para construir algo próprio.

Tomás Batto e a construção da banda

O nome de Tomás Erwin Batto Fernández aparece associado à liderança da La Blues Label e também às gravações do novo álbum. Sua presença no cenário musical argentino já podia ser percebida antes da chegada do disco: em março de 2026, Batto participou do programa La Frontera, da Universidad Nacional de La Plata, em um episódio dedicado ao músico e à La Blues Label.

Além de Batto, a banda é formada por Guillermo Julio Bello Lascano, Nahuel Maximilano Morán, Matías Gustavo Castro Castiñeira e Franco Fabián Díaz. 

Antes do álbum, o palco

Permiso Para Soñar não surgiu do nada. Antes de apresentar o primeiro álbum de estúdio, a La Blues Label já havia registrado sua música ao vivo no Obelisco, em Buenos Aires.

Lançado em 2025, La Blues Label (Live Session Obelisco) reúne sete faixas e pouco mais de 32 minutos. O repertório inclui versões ao vivo de Hotel Buenos Aires, Gringo, Diablos Azules, ACV, Telephone Blues, Blues sin Luz e Dulce De Luna.

Esse registro ajuda a compreender um aspecto importante da banda: a relação com o palco. A própria apresentação oficial da La Blues Label afirma que o universo criado nas composições encontra no ao vivo sua expressão mais intensa.

Não por acaso, várias das músicas que aparecem no álbum de 2026 já haviam sido apresentadas ao público em versões ao vivo. Hotel Buenos Aires, Diablos Azules e Dulce de Luna, por exemplo, aparecem tanto no registro do Obelisco quanto no novo disco.



Permiso Para Soñar

O álbum apresenta uma sequência de 11 músicas: Hotel Buenos Aires, Nadando Entre Las Olas, Telephone, Pájaro Azul, Dulce de Luna, Blues sin Bluz, Diablos Azules, Vieja Escuela, Etiqueta Nacional, Cada Vez Más e El Viejo.

O título do álbum funciona quase como uma declaração de princípios. Permiso Para Soñar sugere liberdade, imaginação e movimento. E a escolha das canções reforça essa ideia: há referências explícitas ao blues, como em Blues sin Bluz, mas também títulos que apontam para lugares, personagens, experiências e imagens.

O resultado é um álbum que não parece interessado em responder à pergunta "como deve soar o blues?". A La Blues Label parece mais interessada em outra questão: o que é possível fazer com o blues hoje?

Blues sin Bluz

Entre as faixas, Blues sin Bluz chama atenção já pelo título. A música também aparece em playlists dedicadas ao blues argentino contemporâneo, reforçando sua circulação dentro desse universo.

Mais do que uma simples escolha de repertório, a presença da faixa ajuda a revelar a relação da banda com o gênero. O blues está ali, mas não necessariamente como uma fórmula rígida. Ele funciona como linguagem para uma banda que se permite atravessar outras fronteiras musicais.

Cada Vez Más e o encontro com Piti Fernández

Um dos momentos de maior visibilidade do álbum está em Cada Vez Más, que conta com a participação de Piti Fernández, conhecido pelo trabalho à frente de Las Pastillas del Abuelo.

A música foi lançada como single em 21 de maio de 2026, antes da chegada do álbum, e posteriormente passou a integrar Permiso Para Soñar. Os registros das plataformas confirmam a participação de Fernández tanto no single quanto na faixa do álbum.

A colaboração é particularmente significativa porque aproxima a La Blues Label de uma tradição muito forte da música argentina: a capacidade do rock nacional de absorver diferentes linguagens sem necessariamente perder sua identidade.

Em outras palavras, o blues da La Blues Label não está isolado de seu país. Ele conversa com a própria história musical argentina.

Dulce de Luna: a primeira pista

Antes de Permiso Para Soñar, a banda apresentou Dulce de Luna, lançada como single em 12 de março de 2026. A faixa também já existia em uma versão ao vivo registrada no Obelisco em 2025.

Esse percurso, do palco para o single e depois para o álbum, mostra que a La Blues Label foi construindo seu repertório diante do público. Quando o disco finalmente chegou, algumas de suas canções já carregavam uma história anterior.

É um detalhe que dá ao álbum uma dimensão interessante: Permiso Para Soñar pode ser entendido não apenas como uma estreia fonográfica, mas como o resultado de um processo que já vinha sendo experimentado ao vivo.

Uma nova geração do blues argentino

A Argentina possui uma longa história de aproximação entre blues e rock. Nomes como Pappo ajudaram a estabelecer uma tradição que atravessou gerações e continua influenciando músicos. A La Blues Label aparece em outro momento, quando o desafio já não é simplesmente apresentar o blues ao público argentino, mas encontrar uma maneira de fazê-lo continuar vivo dentro de uma cena musical que mudou profundamente.

É nesse contexto que a banda se torna especialmente interessante para quem acompanha o blues latino-americano.

Em vez de buscar uma reprodução literal dos modelos norte-americanos, a La Blues Label parte do blues rock e acrescenta elementos de jazz, funk e rock argentino. O resultado é uma música que pode ser reconhecida como blues sem precisar abandonar o sotaque cultural de quem a produz. A própria banda descreve sua proposta nesses termos, colocando a tradição do gênero ao lado de uma perspectiva existencial e poética.

Um nome para ficar de olho

Talvez seja cedo para saber até onde a La Blues Label poderá chegar. O grupo ainda está construindo sua trajetória e Permiso Para Soñar é seu primeiro álbum. Mas justamente por isso o momento é interessante.

Existe algo de genuíno em acompanhar uma banda quando ela ainda está definindo os contornos de sua própria identidade. A La Blues Label parece estar fazendo isso diante do público, entre o blues, o rock, o jazz e o funk, entre Buenos Aires e as referências que atravessam o gênero desde suas origens.

Permiso Para Soñar é, nesse sentido, mais do que um título. É quase uma licença para experimentar.

E talvez seja essa a melhor maneira de olhar para a La Blues Label: uma banda argentina que entende o blues não como um ponto de chegada, mas como o começo de uma conversa.

Ouça Permiso Para Soñar

O álbum completo da La Blues Label está disponível no Spotify.


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