Sam Collins: o blues que chorava nas cordas do violão
Sam Collins: o blues que chorava nas cordas do violão
Sam Collins, também conhecido como Crying Sam Collins, foi um dos nomes mais enigmáticos e subestimados da primeira geração do blues gravado. Nascido possivelmente em 11 de agosto de 1887, no estado da Louisiana, e falecido em 20 de outubro de 1949, em Chicago, Collins construiu uma obra breve, porém profundamente expressiva, marcada por um estilo que parecia transformar a guitarra em voz humana.
Entre a Louisiana e o Mississippi: a formação de um estilo
Criado em McComb, Mississippi, logo na divisa com a Louisiana, Collins absorveu as tradições musicais do sul profundo dos Estados Unidos. Ainda nos anos 1920, já se apresentava em barrelhouses e juke joints da região, muitas vezes ao lado de King Solomon Hill, compartilhando com ele o uso do falsete e da guitarra slide.
Diferente da abordagem mais agressiva do Delta blues, o estilo de Collins era mais fluido e melódico, associado ao chamado South Mississippi blues. Seu toque com bottleneck — descrito por estudiosos como capaz de “fazer a guitarra chorar” — tornou-se sua assinatura sonora.
As gravações e o nascimento de “Crying Sam”
Em 1927, Collins entrou em estúdio pela primeira vez, gravando faixas como “Yellow Dog Blues” e, sobretudo, “The Jail House Blues”, seu registro mais conhecido. Lançado pela Gennett Records, o disco já o apresentava como “Crying Sam Collins and his Git-Fiddle”, apelido inspirado na qualidade emocional e quase fantasmagórica de sua voz em falsete.
Entre 1927 e 1931, gravou cerca de 50 músicas, embora nem todas tenham sido lançadas comercialmente. Nesse período, utilizou diversos pseudônimos — como Jim Foster, Jelly Roll Hunter, Big Boy Woods e Salty Dog Sam — prática comum na indústria fonográfica da época.
Entre suas gravações mais relevantes estão:
- The Jail House Blues
- My Road Is Rough and Rocky
- Slow Mama Slow
- Signifying Blues
- Lonesome Road Blues
Do campo à cidade: o silêncio em Chicago
No final dos anos 1930, Collins mudou-se para Chicago, acompanhando o fluxo migratório de músicos do sul rumo aos centros urbanos. No entanto, seu estilo rural não encontrou o mesmo acolhimento na cena urbana, que já caminhava para o blues elétrico.
Distante dos holofotes, passou seus últimos anos em relativo anonimato, vindo a falecer em 1949, vítima de problemas cardíacos.
Legado: a emoção como linguagem
Embora nunca tenha alcançado grande sucesso comercial, Sam Collins ocupa um lugar importante na história do blues pré-guerra. Seu trabalho foi redescoberto décadas depois, quando coletâneas em LP reuniram suas gravações, revelando a profundidade de sua arte para novas gerações.
Seu canto em falsete e seu violão choroso influenciaram músicos da região do Mississippi e ajudaram a consolidar uma vertente menos conhecida — porém igualmente essencial — do blues rural americano.
Sam Collins não apenas tocava o blues: ele o fazia lamentar, vibrar e sobreviver no tempo.

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