Laurence Jones: do blues britânico elétrico ao íntimo “On My Own”
Laurence Jones: do blues britânico elétrico ao íntimo “On My Own”
Na linha tênue entre tradição e reinvenção, o guitarrista inglês Laurence Jones se afirma como uma das vozes mais autênticas do blues contemporâneo. Nascido em Liverpool em 13 de fevereiro de 1992, Jones passou da guitarra clássica à paixão pelo blues, construindo uma trajetória marcada por técnica, energia e honestidade emocional — uma história que agora se reflete em seu mais recente trabalho, o álbum On My Own (2026).
os primeiros acordes e a formação do artista
Jones começou seus estudos em guitarra clássica ainda criança e, aos 18 anos, alcançou o Grade 8 com distinção, um feito que já mostrava sua habilidade técnica. Foi, porém, através da coleção de vinis do pai que ele descobriu o blues e o rock que moldariam seu som: desde o espírito cru dos pioneiros até o blues rock moderno que mescla alma e poder no instrumento.
O início profissional de Laurence veio ainda jovem — assinou seu primeiro contrato com gravadora aos 17 anos e, logo depois, passou a dividir palcos com ícones como Ringo Starr, Sir Van Morrison, Jeff Beck, Johnny Winter e Status Quo. Até o lendário Buddy Guy chegou a afirmar que ele era “como um jovem Eric Clapton”, um testemunho sobre seu talento na guitarra.
discografia e reconhecimento crítico
A discografia de Jones reflete um percurso sólido dentro do blues rock britânico e internacional. Antes de 2026, ele lançou uma série de álbuns que conquistaram público e crítica, incluindo:
- Thunder in the Sky (2012) – álbum de estreia que estabeleceu sua identidade sonora.
- Temptation (2014) – consolidou seu espaço na cena blues europeia.
- What’s It Gonna Be (2015) – mostra sua expansão criativa.
- Take Me High (2016) – produzido por Mike Vernon, com turnês internacionais.
- The Truth (2017) – retrata sua maturidade como compositor.
- Laurence Jones Band (2019) – trabalho com sua banda homônima.
- Destination Unknown (2022) – continuidade do som que o consagrou.
- Bad Luck & the Blues (2023) – expressão crua do blues moderno.
prêmios, reconhecimento e legado
Ao longo de sua carreira, Jones foi premiado repetidamente no circuito britânico e europeu. Ele conquistou diversos British Blues Awards, incluindo Young Artist of the Year por três anos consecutivos e, posteriormente, o prêmio de Guitarist of the Year. Além disso, foi eleito entre os Top 10 melhores guitarristas de blues rock do mundo pela Music Radar e alcançou o topo da Official UK Jazz & Blues Chart. Com mais de 50 mil álbuns vendidos mundialmente, Jones também foi incluído no British Blues Awards Hall of Fame.
uma nova fase: “on my own” (2026)
Em 23 de janeiro de 2026, Laurence Jones lançou seu trabalho mais pessoal até hoje: On My Own. Este é o seu primeiro álbum totalmente solo acústico, gravado sem banda e com foco na guitarra e na voz, num registro que remete às raízes mais puras do blues.
O álbum nasceu em meio a um período difícil de sua vida — uma batalha intensa com a doença de Crohn* —, período em que ele encontrou nas músicas a forma mais sincera de expressão e recuperação. As canções abordam temas como resiliência, amor, luta interna e a jornada de viver com uma doença invisível enquanto busca manter a arte viva.
Nas resenhas ao redor do mundo, On My Own foi celebrado por sua honestidade crua e pela forma como Laurence transforma vulnerabilidade em arte. Críticos destacaram a maneira como ele extrai emoção de arranjos minimalistas, usando slide guitar, ritmos percussivos simples e uma performance íntima que mantém o espírito do blues vivo e contemporâneo.
Faixas como One Life, Life I Made e a própria On My Own mostram um músico que não tem medo de se revelar — transformando dificuldades em música que ressoa com sinceridade.
o tempo do blues e a estrada adiante
No início de 2026, Jones embarcou em uma turnê solo para apresentar On My Own ao público britânico e europeu, um rito de passagem para esta nova fase. Ao mesmo tempo em que respeita sua herança de blues elétrico e técnico, ele prova que simplicidade pode ser tão poderosa quanto qualquer solo incendiário.
Laurence Jones segue, assim, como um artista que não apenas domina seu instrumento, mas que também usa sua música para contar histórias humanas — de luta, de amor, de queda e de recomeço. Uma voz essencial para entender o blues de hoje.
*A doença de Crohn (ou Doença de Crohn) é uma doença inflamatória crônica do intestino. Isso significa que ela provoca inflamação persistente no sistema digestivo e não tem cura, mas tem tratamento e controle.


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