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Mostrando postagens de dezembro, 2025

Os 50 Melhores Blues de 2025

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Os 50 Melhores Blues de 2025 Chegar ao fim de um ano é sempre um exercício de escuta. Em 2025, o blues mostrou mais uma vez por que segue sendo uma linguagem viva, em constante mutação, mas fiel às suas raízes emocionais. O Todo Dia Um Blues acompanhou lançamentos, singles, colaborações inesperadas, retornos aguardados e estreias surpreendentes. O resultado é esta lista: Os 50 Melhores Blues de 2025 . Não se trata apenas de ranking. É um retrato do ano. A maioria das faixas aqui presentes foi destaque ao longo dos meses no blog, seja em resenhas completas, notas críticas ou matérias especiais. Ao mesmo tempo, muitos desses discos também apareceram em listas de melhores álbuns do ano em sites e revistas especializadas, confirmando que 2025 foi um ano forte, diverso e criativo para o blues. Os discos que definiram 2025 Entre tantos singles e parcerias pontuais, alguns álbuns se destacaram como obras completas — coesas, relevantes e com impacto real na cena. Buddy Guy – Ain’...

Todo Dia Um Blues: um ano de estrada, poeira e permanência

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Todo Dia Um Blues: um ano de estrada, poeira e permanência Hoje, 30 de dezembro , o blog Todo Dia Um Blues completa seu primeiro ano de vida. Não é pouco. Em tempos de excesso, pressa e ruído, manter um espaço dedicado ao blues — sua história, seus personagens, seus discos, seus sotaques e suas transformações — é um gesto de resistência cultural. E também de afeto. Esse caminho começou em 2025 com um artigo piloto que já trazia tudo o que viria depois: o bluesman e amigo Nuno Mindelis , sua guitarra, sua trajetória e sua ligação viva com essa música que atravessa gerações. Ali, sem saber, dávamos o primeiro passo de uma jornada musical ininterrupta, escrita dia após dia, nota após nota. Revisitar, descobrir, escutar Ao longo desse primeiro ano, o Todo Dia Um Blues fez exatamente o que o nome promete: voltou o olhar para os grandes mestres, sem perder de vista o presente e o futuro. Revisitamos lendas , resgatamos histórias fundamentais e, ao mesmo tempo, descobrimos novos a...

Charlie Beale: quando o blues encontra a música eletrônica

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Charlie Beale: quando o blues encontra a música eletrônica Em um cenário musical que vive de revisitar o passado para dialogar com o futuro, Charlie Beale ocupa um território raro e provocador. Reconhecido como um dos principais remixadores de blues do mundo , Beale construiu uma linguagem própria ao unir gravações históricas do blues tradicional com batidas eletrônicas contemporâneas . O resultado não é apenas um exercício de estilo, mas uma reinvenção respeitosa e pulsante de um gênero centenário. Dentro do universo ainda restrito do bluestronic — também chamado de electro-blues — Charlie Beale se destaca como um dos poucos produtores que realmente compreendem o peso simbólico do blues e sabem traduzi-lo para uma nova geração sem diluí-lo. Do arquivo ao clube: a construção de um estilo O trabalho de Charlie Beale parte de um princípio simples e, ao mesmo tempo, ousado: tratar o blues como matéria viva . Em vez de regravações ou releituras convencionais, ele mergulha em ...

Pops Staples: fé e a voz que pregou igualdade

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Pops Staples: fé e a voz que pregou igualdade Roebuck “Pops” Staples ocupa um lugar singular na história da música americana. Cantor, guitarrista, compositor e líder espiritual de sua própria família, ele foi o alicerce dos The Staple Singers , grupo que atravessou décadas levando o evangelho, o blues e a consciência social para além dos muros da igreja. Pops não apenas cantou a fé — ele a viveu em cada acorde minimalista, em cada letra que falava de justiça, paz e dignidade humana. As raízes no Mississippi Pops Staples nasceu em 28 de dezembro de 1914, em Winona, Mississippi, no coração do Delta. Cresceu cercado pela música que brotava das igrejas e dos campos de algodão, absorvendo o som dos spirituals , dos hinos tradicionais e, inevitavelmente, do blues rural que ecoava na região. Ainda jovem, aprendeu a tocar violão de forma intuitiva, desenvolvendo um estilo direto, hipnótico e profundamente expressivo. Charley Patton foi uma influência decisiva. Pops costumava dizer ...

Alexis P. Suter Band: voz, raízes e permanência no blues contemporâneo

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Alexis P. Suter Band: voz, raízes e permanência no blues contemporâneo Foto: Laura Carbone A trajetória da Alexis P. Suter Band é construída sobre algo que não se aprende em conservatórios nem se simula em estúdio: vivência musical . Liderado pela cantora Alexis P. Suter , o grupo representa um elo vivo entre o gospel, o soul e o blues elétrico, mantendo essas tradições em diálogo direto com o presente. Brooklyn, igreja e formação musical Alexis P. Suter nasceu em 15 de fevereiro de 1963, no Brooklyn, Nova York , em um ambiente onde a música não era acessório, mas linguagem cotidiana. Filha da cantora e preparadora vocal Carrie Suter , Alexis cresceu cercada por vozes, corais e referências profundas da música afro-americana. Ainda criança, começou a cantar em corais de igreja, experiência que moldou não apenas sua técnica, mas sobretudo sua relação emocional com a música. Esse contato precoce com o gospel , o soul e o rhythm & blues ajudou a construir uma cantora de id...

Dave Keyes: um mestre do blues em sua plenitude

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Dave Keyes: um mestre do blues em sua plenitude No universo do blues e das raízes da música popular americana, poucos artistas sobrevivem tanto tempo com a relevância, a sensibilidade e a integridade artística de Dave Keyes . Pianista, organista, cantor e compositor nascido em Nova York, Keyes construiu uma carreira de mais de quatro décadas nas trilhas do blues, boogie-woogie, soul e gospel, sendo reconhecido tanto como sideman requisitado quanto como líder de sua própria banda. Ao longo dos anos, ele dividiu palcos e estúdios com nomes lendários e acumulou indicações ao Blues Music Award, além de uma vitória no International Blues Challenge — marcos que explicam sua profunda familiaridade com as tradições que o moldaram. Em 24 de outubro de 2025 , Keyes lançou seu mais recente trabalho, o álbum Two Trains , um registro que sintetiza décadas de experiência, emoção e compromisso com as raízes musicais que o definem. Em essência, este é um álbum que fala sobre dualidades: a luz e a ...

Christmas Blues: quando o Natal encontra a alma do blues

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Christmas Blues: quando o Natal encontra a alma do blues O Natal sempre foi um tempo de pausa, encontro e memória. Um dia em que a casa ganha outro som, a mesa se estende e as histórias voltam a circular entre gerações. Em meio a canções repetidas ano após ano, o blues surge como um caminho alternativo — mais quente, mais humano, mais verdadeiro. É nesse espírito que o álbum Christmas Blues , lançado pela Warner, se impõe como trilha sonora perfeita para o dia 25 de dezembro. Reunindo vozes e instrumentos que carregam décadas de estrada, o disco transforma o Natal em algo menos decorativo e mais vivido. Aqui, a celebração não vem do excesso, mas da conexão: com a música, com quem está ao nosso lado e com aquilo que permanece quando o silêncio volta a ocupar a sala. Um Natal embalado por gigantes do blues Koko Taylor , Elvin Bishop , Tinsley Ellis , Marcia Ball e outros nomes fundamentais do blues dão corpo e alma a este álbum. Não se trata de um projeto oportunista, mas de uma...

Black Joe Lewis & The Honeybears: suor, distorção e o blues em alta voltagem

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Black Joe Lewis & The Honeybears: suor, distorção e o blues em alta voltagem Black Joe Lewis & The Honeybears nunca soaram como uma banda preocupada em respeitar fronteiras. Desde o início, o grupo tratou o blues como matéria viva, algo que pode ser esticado, rasgado, sujo e religado à força a circuitos de soul, funk, garage rock e punk. O resultado é um som que não pede licença — ele entra chutando a porta. Formada em Austin, Texas, a banda surgiu em um cenário fértil, onde tradição e reinvenção convivem em tensão permanente. Black Joe Lewis, vocalista e principal compositor, trouxe para o centro do palco uma interpretação crua, quase agressiva, que parece mais próxima de um grito urbano do que do lamento rural. É blues, sim — mas atravessado por eletricidade, rua quente e atitude. Texas elétrico: origem e identidade Austin sempre foi conhecida por absorver influências e devolvê-las com personalidade própria. Nesse caldo cultural, Black Joe Lewis & The Honeybears ...

Blood Brothers: quando o blues vira irmandade

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Blood Brothers: quando o blues vira irmandade O blues não nasce do acaso. Ele nasce do encontro — de histórias cruzadas, de palcos compartilhados, de feridas antigas que encontram eco em outra voz. O projeto Blood Brothers surge exatamente desse lugar. Não como um experimento de estúdio ou uma jogada de mercado, mas como o resultado natural da amizade, da estrada e da afinidade musical entre Mike Zito e Albert Castiglia . Dois músicos forjados no circuito mais duro do blues contemporâneo, acostumados a carregar amplificadores, histórias e cicatrizes de cidade em cidade. Em Help Yourself , álbum que dá forma definitiva ao projeto, o que se ouve é mais do que um repertório bem executado. É a sonoridade de quem se conhece profundamente, de quem sabe a hora de avançar e, principalmente, a hora de ceder espaço. Um projeto nascido da estrada Antes de virar disco, Blood Brothers já existia nos bastidores, nos camarins e nos palcos improvisados do circuito blues americano. Mike Zi...

Lil Green: a voz ferida do blues urbano dos anos 40

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Lil Green: a voz ferida do blues urbano dos anos 40 Lil Green foi uma das vozes mais intensas e emocionalmente expostas do blues norte-americano dos anos 1940. Sua carreira curta, marcada por canções confessionais e interpretações carregadas de dor, reflete um período em que o blues deixava o campo e se estabelecia definitivamente nas cidades, assumindo novas formas, sem perder sua alma trágica. Entre baladas lentas, lamentos amorosos e uma entrega vocal quase desconcertante, Lil Green construiu um legado silencioso, mas profundamente influente. Sua história é também a de uma mulher negra tentando sobreviver — artística e emocionalmente — em uma indústria dura, dominada por homens, durante um dos períodos mais complexos da música popular americana. Infância, migração e os primeiros passos Nascida em Charlotte, Carolina do Norte , no início da década de 1920, Lil Green cresceu em um ambiente marcado pela música e pelas dificuldades econômicas típicas do Sul segregado. Como tant...

Harmonica Slim: o legado de um artesão do blues

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Harmonica Slim: o legado de um artesão do blues Harmonica Slim foi daqueles músicos que nunca pediram licença para entrar na história. Seu blues chegou cru, direto, sem verniz — um sopro forte de harmônica atravessando o Texas, passando por Los Angeles e deixando marcas profundas em discos, palcos e memórias. Nascido Travis Leonard Blaylock , em Texarkana, Texas, em 21 de dezembro de 1934, Slim construiu uma trajetória silenciosa, intensa e muitas vezes injustamente esquecida, como tantos artesãos do blues do pós-guerra. Raízes texanas e o primeiro chamado do blues Crescer em Texarkana significava viver entre o campo e o asfalto, entre o gospel das igrejas e o blues que escapava pelas janelas nas noites quentes. Foi ali que Travis Blaylock teve seus primeiros contatos com a música. Ainda menino, aprendeu a tocar harmônica ouvindo discos e músicos da vizinhança, desenvolvendo cedo um estilo pessoal, áspero e carregado de emoção. Antes mesmo de se entregar ao blues secular , Sli...

Cousin Joe: o piano e o blues como uma conversa íntima

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Cousin Joe: o piano e o blues como uma conversa íntima Cousin Joe , nascido Pleasant Joseph, foi um daqueles artistas que carregaram a alma de New Orleans no bolso do paletó e a espalharam pelo mundo em cada acorde. Cantor, pianista e contador de histórias, ele atravessou décadas mantendo vivo um blues que sorria, ironizava a própria dor e convidava o ouvinte a sentar mais perto do palco. Raízes na Louisiana Nascido em 20 de dezembro de 1907, na pequena Wallace, Louisiana, Pleasant Joseph cresceu entre o canto da igreja e os sons da rua. Ainda jovem, mudou-se para New Orleans, onde a música não era apenas entretenimento, mas linguagem cotidiana. Foi ali que ele aprendeu que o blues podia ser confissão, piada, crônica social e celebração ao mesmo tempo. Antes do piano dominar sua identidade , Cousin Joe cantava e tocava instrumentos de corda, absorvendo o espírito dos salões, dos bares e dos barcos que cruzavam o Mississippi. Quando se sentou definitivamente ao teclado, encontro...

James Booker: o gênio indomável do piano de Nova Orleans

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James Booker: o gênio indomável do piano de Nova Orleans Lionel DECOSTER CC BY SA James Booker foi um daqueles artistas que parecem carregar uma cidade inteira dentro de si. No seu piano conviviam o blues mais cru, o jazz sofisticado, a música clássica europeia, o gospel e o rhythm and blues de rua. Tudo ao mesmo tempo. Tudo em conflito. Tudo verdadeiro. Pianista virtuoso, compositor singular e figura profundamente atormentada, Booker viveu à margem do sucesso que seu talento anunciava, deixando como legado uma obra intensa, fragmentada e absolutamente única. Em uma das descrições mais contundentes já feitas sobre ele, Dr. John definiu James Booker como “o melhor gênio negro, gay, caolho e viciado em drogas que Nova Orleans já produziu” . A frase é dura, direta e reveladora — assim como a própria música de Booker. Um prodígio marcado pela dor Nascido em 1939, em Nova Orleans, James Carroll Booker III cresceu em um ambiente onde a música era tão natural quanto o ar quente e...

Pee Wee Crayton: o blues que aprendeu a caminhar pela cidade

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Pee Wee Crayton: o blues que aprendeu a caminhar pela cidade O blues urbano nasceu quando a noite ganhou luz elétrica. Quando as ruas passaram a ter calçadas, clubes e horários marcados. Entre os homens que ajudaram a conduzir essa transformação, Pee Wee Crayton ocupa um lugar silencioso, porém fundamental. Sua guitarra não gritava. Ela conversava. E, nesse diálogo contido e elegante, o blues encontrou uma nova forma de existir. Raízes do sul, destino no asfalto Nascido como Conny Crayton, no Texas, em 18 de dezembro de 1914, Pee Wee cresceu cercado pelo blues rural, aquele aprendido de ouvido, passado de mão em mão. Ainda jovem, mostrou inclinação para o violão, mas foi ao migrar para a Califórnia, nos anos 1940, que seu som encontrou propósito. Los Angeles fervilhava: músicos, clubes, gravadoras independentes e uma nova ideia de blues começavam a se formar. Crayton entendeu cedo que o blues precisava acompanhar o ritmo da cidade. Seu toque abandonava a aspereza do campo e...

Paul Butterfield: o gaitista que expandiu as fronteiras do blues

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Paul Butterfield: o gaitista que expandiu as fronteiras do blues Nascido em 17 de dezembro de 1942, em Chicago, Paul Butterfield foi um dos grandes responsáveis por levar a harmônica do blues a um novo patamar de intensidade, volume e linguagem urbana. Em uma cidade onde o blues elétrico pulsava em cada esquina, Butterfield surgiu como um músico branco profundamente respeitado pela comunidade negra, não por exotismo, mas por vivência, estudo e entrega absoluta ao gênero . Seu aprendizado veio direto da fonte. Butterfield caminhava pelos bairros do South Side absorvendo lições de mestres como Muddy Waters e Howlin’ Wolf , desenvolvendo um estilo de gaita poderoso, agressivo e preciso, inspirado em Little Walter, mas com personalidade própria. Não demorou para que se tornasse referência. Em meados dos anos 1960, liderando a Paul Butterfield Blues Band , ele ajudou a estabelecer uma ponte definitiva entre o blues de Chicago e o rock emergente. A banda revelou talentos fundamentais...