Jimmie Lee Robinson: trajetória e legado de um nome essencial do blues de Chicago
Jimmie Lee Robinson: trajetória e legado de um nome essencial do blues de Chicago
Jimmie Lee Robinson, também conhecido como Lonesome Lee, nasceu em 30 de abril de 1931, em Chicago, Illinois, e faleceu na mesma cidade em 6 de julho de 2002. Figura muitas vezes subestimada na história do blues, Robinson foi um dos músicos mais presentes — ainda que discretos — na construção do som elétrico de Chicago nas décadas de 1950 e 1960.
Os primeiros acordes em Maxwell Street
Criado pelos avós, Robinson aprendeu a tocar guitarra ainda jovem, orientado pelo músico Blind Percy. Ainda criança, já frequentava e se apresentava na lendária Maxwell Street, verdadeiro coração cultural do blues urbano. Foi ali que absorveu a linguagem crua e elétrica que definiria sua trajetória.
Parceria com Eddie Taylor e o circuito dos clubes
No final dos anos 1940, Robinson iniciou uma parceria decisiva com Eddie Taylor, guitarrista fundamental do blues de Chicago. Entre 1948 e 1952, os dois dividiram palcos e consolidaram presença no circuito de clubes da cidade, ajudando a moldar a base rítmica que acompanharia nomes como Jimmy Reed e outros artistas da cena elétrica.
Every Hour Blues Boys e Freddie King
Após se separar de Taylor, Robinson formou a banda Every Hour Blues Boys ao lado de um jovem guitarrista chamado Freddie King. O grupo atuou por cerca de quatro anos e se tornou uma escola informal para King, que mais tarde reconheceria Robinson como uma de suas primeiras e mais importantes influências musicais.
Com Little Walter e outros gigantes do blues
Em 1955, Robinson passou a integrar a banda de Little Walter, um dos maiores inovadores da gaita blues. Chegou a assumir os vocais temporariamente quando Walter foi afastado após um incidente violento, demonstrando versatilidade além da guitarra.
Durante os anos 1950, Robinson também atuou como músico de estúdio e sideman, colaborando com artistas como Howlin’ Wolf, Elmore James, Magic Sam e o próprio Eddie Taylor. Sua presença discreta, porém constante, ajudou a construir a espinha dorsal do blues elétrico.
Outras colaborações e caminhos
Além dessas parcerias, Robinson também transitou por formações ligadas ao universo de Little Walter e outros músicos da cena de Chicago, sempre orbitando bandas e projetos que moldaram o som urbano do blues. Sua carreira foi marcada mais pela contribuição coletiva do que pelo estrelato individual — um verdadeiro operário do gênero.
Hiato, retorno e resistência cultural
Com o declínio comercial do blues nos anos 1960, Robinson se afastou da música, chegando a trabalhar como carpinteiro e motorista de táxi. Retornaria apenas no final dos anos 1980, incentivado por músicos mais jovens, iniciando uma fase tardia de gravações autorais.
Nos anos finais, também se destacou como ativista, lutando contra a demolição da histórica Maxwell Street — símbolo do blues de Chicago — chegando a realizar um protesto extremo com jejum prolongado.
Morte e legado
Em 2002, Robinson foi diagnosticado com um tumor maligno nos seios nasais, que rapidamente se espalhou pelo corpo. Diante do agravamento de sua saúde, faleceu em 6 de julho de 2002, em Chicago. Relatos indicam que a causa da morte foi um tiro autoinfligido, possivelmente motivado pelo sofrimento decorrente da doença.
Sua história permanece como a de um músico essencial, embora muitas vezes invisível — um arquiteto silencioso do blues moderno.
Discografia em destaque
Após décadas atuando nos bastidores, Robinson lançou seu primeiro álbum de estúdio em 1994, pelo selo Delmark Records:
Lonely Traveller — um registro tardio, porém poderoso, que reúne composições antigas e novas, reafirmando sua importância como artista completo e não apenas como coadjuvante da cena.
Mais do que um debut, o disco funciona como um reencontro com a própria história do blues de Chicago.
© Todo Dia Um Blues


Comentários
Postar um comentário