The Rocky Athas Group: blues texano com precisão e intensidade

The Rocky Athas Group: blues texano com precisão e intensidade



Formado no início dos anos 2000, o The Rocky Athas Group consolidou-se como uma das expressões mais consistentes do blues rock contemporâneo oriundo do Texas. Liderado pelo guitarrista Rocky Athas, o projeto nasceu como um desdobramento natural de sua trajetória solo, reunindo músicos experientes em torno de uma proposta que combina tradição, técnica refinada e uma abordagem moderna do blues elétrico.

Desde sua origem, o grupo se destaca por uma dinâmica coletiva sólida, em que cada integrante contribui para um som coeso, mas sempre centrado na guitarra expressiva de Athas. Sua linguagem musical dialoga diretamente com a escola texana, evocando influências clássicas sem abrir mão de identidade própria.

Miracle (2003): sofisticação e equilíbrio

Lançado em 2003 pelo selo Armadillo, Miracle marca a estreia do grupo em estúdio e já evidencia o alto nível técnico dos músicos envolvidos:

Willie Kelly (ts); Tommy Palmer (kb, v); Clark Findley, Riley Osbourn (kb); Rocky Athas (g); Robert Ware, Guthrie Kennard (b); Johnny Bolin, Jimmy Pendleton (d); Larry Samford, Tom Burns (v).

Logo na faixa-título, percebe-se a proposta do álbum: um blues refinado, de andamento cadenciado, com uma introdução de guitarra limpa que remete à estética hendrixiana. A produção de Jim Gaines exerce papel fundamental ao garantir clareza e consistência ao som, elevando o material a um padrão elevado.

O trabalho de guitarra de Athas é marcado por bom gosto, controle e versatilidade, com destaque para “That Magic”, onde os riffs evoluem de forma gradual até atingir um clímax expressivo. Já os vocais de Larry Samford trazem suavidade e profundidade, especialmente em “Bluesville”, reforçando o caráter introspectivo do disco.

Ainda que o repertório, por vezes, se aproxime de convenções do gênero, a qualidade das execuções e o cuidado na produção fazem de Miracle um debut sólido e musicalmente consistente.



Voodoo Moon (2005): intensidade e movimento

Dois anos depois, o grupo retorna com Voodoo Moon, também pela Armadillo, ampliando sua paleta sonora e apresentando uma formação igualmente robusta:

Tommy Palmer, Ruf Rufner (kb); Rocky Athas (g, b, v); Guthrie Kennard (b, v); Bobby Baranowski (d, perc); Walter Watson (perc); Tracy Burns, Morris Price (v).

Se o álbum de estreia apostava na contenção e no equilíbrio, aqui o grupo investe em maior senso de urgência e intensidade. A performance de Athas se torna mais incisiva, aproximando-se da energia que consagrou nomes do blues rock moderno. Faixas como “Muddy Water Blues” evocam essa tradição com força e autenticidade.

A produção de Jim Gaines novamente se destaca, mantendo o padrão elevado, enquanto a banda demonstra segurança ao explorar variações de clima. A faixa-título apresenta um tom mais sombrio, ao passo que momentos acústicos como “Sleep” e “Preacher” revelam sensibilidade e amplitude estética.

Embora em alguns momentos a execução impecável sugira uma abordagem excessivamente confortável, Voodoo Moon reafirma o grupo como um conjunto de músicos altamente qualificados, entregando um trabalho consistente e recomendável dentro do blues contemporâneo.

Um projeto ancorado na tradição e na excelência

O The Rocky Athas Group permanece como um projeto que traduz, com fidelidade e competência, a essência do blues texano. Mais do que um veículo para o virtuosismo de seu líder, o grupo se estabelece como uma experiência coletiva onde técnica, sensibilidade e tradição caminham lado a lado.

Entre a sofisticação de Miracle e a intensidade de Voodoo Moon, a banda construiu uma identidade marcada pelo respeito às raízes e pela busca constante por expressão musical de alto nível — um equilíbrio que sustenta sua relevância no cenário do blues rock.

Rocky Athas, a escola texana da guitarra blues

Nos anos mais recentes, Rocky Athas reafirma sua vitalidade artística com o lançamento de “Livin’ My Best Life” (2024), trabalho que evidencia maturidade, intensidade emocional e refinamento técnico, sendo amplamente elogiado pela crítica especializada. Longe de desacelerar, o guitarrista segue ativo em estúdio, entrevistas e apresentações, mantendo-se conectado ao presente do blues rock. Com mais de cinco décadas de carreira, Athas consolida sua posição como um dos grandes representantes da escola texana de guitarra, combinando experiência, identidade sonora marcante e uma produção contemporânea que dialoga com novas gerações.


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