Duke Robillard: um mestre da guitarra blues entre tradição e elegância
Duke Robillard: um mestre da guitarra blues entre tradição e elegância
Entre os guitarristas que ajudaram a moldar o blues contemporâneo sem jamais abandonar suas raízes históricas, poucos nomes possuem a autoridade musical de Duke Robillard. Dono de um estilo elegante e profundamente enraizado na tradição do jump blues, do swing e do rhythm & blues clássico, o músico norte-americano construiu ao longo de mais de cinco décadas uma carreira sólida como guitarrista, cantor, compositor, produtor e líder de banda.
Nascido Michael John Robillard em 4 de outubro de 1948, na cidade de Woonsocket, Rhode Island, nos Estados Unidos, ele cresceu ouvindo a música negra americana das décadas de 1940 e 1950. Artistas como T-Bone Walker, B.B. King e os grandes mestres do swing jazz ajudaram a formar o ouvido do jovem guitarrista, que rapidamente desenvolveu um estilo refinado e cheio de personalidade. Desde o final dos anos 1960, Robillard tornou-se uma figura central na preservação e renovação do blues tradicional. 0
Roomful of Blues e o renascimento do jump blues
A história profissional de Duke Robillard começa em 1967, quando ele fundou, ao lado do pianista Al Copley, a banda Roomful of Blues. O grupo nasceu na Nova Inglaterra com a proposta de resgatar o blues elétrico de Chicago e o swing dançante das big bands que dominaram os clubes americanos nos anos 1940 e 1950.
Com uma poderosa seção de metais e repertório inspirado em nomes como Count Basie e T-Bone Walker, a banda rapidamente ganhou reputação no circuito de clubes e festivais. Na década de 1970, o grupo passou a excursionar intensamente e lançou seu primeiro álbum, conquistando reconhecimento nacional. A proposta musical de Robillard ajudou a reacender o interesse pelo jump blues e pelo rhythm & blues clássico em uma época dominada pelo rock.
Após mais de uma década com o grupo, Robillard deixou a banda no final dos anos 1970 para seguir novos caminhos musicais.
Dos Fabulous Thunderbirds à carreira solo
Depois de sair do Roomful of Blues, Duke Robillard trabalhou com diversos artistas e projetos. Entre eles estão o cantor Robert Gordon e a Legendary Blues Band, formada por músicos ligados à tradição de Muddy Waters.
Em 1990, ele assumiu um posto de destaque ao entrar para os Fabulous Thunderbirds, substituindo o guitarrista Jimmie Vaughan. Durante esse período, Robillard levou sua técnica refinada e sua sensibilidade musical para uma das bandas mais importantes do blues rock americano.
Paralelamente, sua carreira solo ganhou força. Ao longo das décadas seguintes, ele lançou dezenas de álbuns explorando diferentes vertentes da música americana: blues tradicional, swing jazz, rockabilly e rhythm & blues. Essa versatilidade tornou-se uma de suas marcas registradas.
Colaborações e contribuições para o blues
Além da carreira como líder de banda, Duke Robillard construiu uma reputação extraordinária como guitarrista de estúdio e produtor musical. Ao longo dos anos, ele colaborou com uma impressionante lista de artistas, incluindo Bob Dylan, John Hammond, Ruth Brown, Billy Boy Arnold, Pinetop Perkins, Maria Muldaur, Johnny Adams e Joe Louis Walker.
Essas colaborações reforçam sua posição como um músico profundamente respeitado dentro do universo do blues. Sua capacidade de transitar entre estilos — do Chicago blues ao swing jazz — faz dele um dos guitarristas mais completos de sua geração.
Ao longo da carreira, Robillard também acumulou diversos prêmios, incluindo indicações ao Grammy e múltiplos Blues Music Awards como guitarrista. Seu trabalho é frequentemente citado entre os mais influentes da música blues contemporânea.
Álbuns essenciais
Com mais de trinta discos lançados em nome próprio, Duke Robillard construiu uma discografia extensa e diversificada. Entre os trabalhos mais representativos de sua carreira, alguns se destacam:
Stomp! The Blues Tonight (1996) – um poderoso mergulho no blues elétrico tradicional.
Low Down and Tore Up (1997) – homenagem ao blues clássico das décadas de 1940 e 1950.
The Duke Meets the Earl (2004) – encontro instrumental com o pianista Jay McShann.
Blue Mood: The Songs of T-Bone Walker (2004) – tributo elegante ao grande mestre da guitarra blues.
Swingin’ Again (2017) – reafirmação de sua paixão pelo swing e jump blues.
Esses discos demonstram como Robillard sempre transitou entre tradição e reinvenção, mantendo viva a herança musical do blues.
Blast Off: um novo capítulo na carreira
Mesmo após mais de meio século de carreira, Duke Robillard continua ativo e criativo. Ele acaba de lançar Blast Off, seu primeiro trabalho pelo selo Nola Blue Records. O álbum reúne doze faixas que percorrem diferentes vertentes da música americana — blues, swing, jazz e rhythm & blues — estilos que acompanham o guitarrista desde o início de sua trajetória.
Gravado com sua All-Star Band, o disco conta com músicos como Chris Cote, Bruce Bears, Marty Ballou e Mark Teixeira, além de participações de saxofonistas e instrumentistas convidados. Entre os destaques está uma composição que Robillard escreveu ainda aos 17 anos e que ganhou sua primeira gravação oficial neste álbum.
Críticos de publicações especializadas em blues destacam o álbum como uma síntese da carreira do guitarrista, reunindo energia, sofisticação e reverência à tradição da música americana. O trabalho reafirma que, mesmo depois de décadas de estrada, Robillard continua produzindo música com vitalidade e criatividade.
Um guardião da tradição
Duke Robillard pertence a uma geração de músicos que atuou como ponte entre o blues clássico do pós-guerra e a cena contemporânea. Sua carreira atravessa estilos, décadas e colaborações, sempre guiada por um profundo respeito às raízes da música americana.
Seja liderando suas próprias bandas, acompanhando artistas lendários ou gravando álbuns que dialogam com o passado e o presente, Robillard consolidou-se como um dos grandes guardiões do blues moderno. E com trabalhos recentes como Blast Off, ele prova que ainda há muito combustível criativo em sua guitarra.
© Todo Dia Um Blues


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