John Campbell: o blues selvagem de um crente solitário
John Campbell: o blues selvagem de um crente solitário Há artistas que parecem nascer com o relógio da vida adiantado, como se soubessem que teriam pouco tempo para deixar sua marca. John Campbell foi um desses espíritos ardentes — um homem que fez do blues uma confissão, uma prece e um grito noturno. Sua guitarra soava como se fosse feita de relâmpagos e feridas abertas. E sua voz, rouca e incendiada, trazia o peso de séculos de sofrimento e redenção. O fogo começou cedo Nascido em 1952, em Shreveport, Louisiana, John Campbell cresceu cercado por música. Ainda criança, aprendeu a tocar violão, e aos treze anos já se apresentava em bares locais. Mas foi no final da década de 1970, após um acidente de carro que quase lhe custou a vida e comprometeu permanentemente sua visão, que Campbell mergulhou de corpo e alma no blues. A tragédia, como tantas vezes acontece nesse gênero, acendeu o fogo que o guiaria até o fim. John carregava o espírito dos velhos mestres —Robert Johnson, Howlin’ Wol...