Shakedown Tim & The Rhytm Revue: a tradição e o groove do Blues Belga
Shakedown Tim & The Rhytm Revue: a tradição e o groove do Blues Belga
Diretamente da Bélgica, a banda Shakedown Tim & The Rhythm Revue ocupa um lugar especial na cena europeia de blues contemporâneo. Liderado pelo guitarrista e cantor Shakedown Tim, o grupo construiu uma trajetória marcada por autenticidade, espírito coletivo e um profundo respeito pelas raízes do rhythm and blues.
Uma banda moldada pelo palco
Desde o início, o projeto nasceu com vocação para o ao vivo. A proposta sempre foi simples e direta: tocar blues com a intensidade de um bar cheio, deixando a música respirar sem excessos de produção. Essa filosofia ajudou a banda a conquistar espaço em clubes e festivais, criando uma reputação baseada na entrega e na honestidade sonora.
O som do grupo dialoga com o jump blues, o swing e o rhythm and blues clássico, evocando a atmosfera das décadas de 1940 e 1950, mas sem soar como uma peça de museu. Há frescor, humor e uma vibração contemporânea que conecta passado e presente.
A química da Rhythm Revue
Parte essencial dessa identidade está na química entre os músicos. O piano vibrante de Ilias Scotch conduz melodias envolventes, enquanto a base formada por Kurt Lens e Koen Van Peteghem sustenta grooves sólidos e dançantes. Juntos, eles criam um ambiente sonoro que remete aos velhos clubes de blues, onde cada nota parece acontecer no calor do momento.
O caminho até o novo álbum
Após consolidar seu nome com trabalhos anteriores e uma intensa rotina de shows, a banda chegou a uma fase de maturidade artística. O resultado desse percurso é o álbum Way Up!, lançado pelo selo Rhythm Bomb Records, um disco que reafirma a essência do grupo ao mesmo tempo em que amplia sua paleta emocional.
Way Up!: blues cru, celebração e memória
Gravado com espírito despojado, o álbum reúne 11 faixas registradas quase como se fossem apresentações ao vivo. A proposta foi capturar a banda exatamente como ela soa no palco: espontânea, orgânica e sem retoques desnecessários. O resultado é um disco vibrante, que alterna momentos festivos e passagens mais introspectivas, sempre ancorado em grooves fortes e interpretação apaixonada.
O trabalho conta ainda com participações especiais, como o gaitista Steven Troch e a cantora Naomi Sijmons, que acrescentam novas cores ao repertório. Em “A Sinner’s Gospel”, a presença do lendário James Harman surge como um elo simbólico entre gerações do blues.
Entre os momentos mais marcantes está “Tiny Legs, Big Soul”, uma homenagem ao músico Tiny Legs Tim. A faixa celebra memórias e amizades construídas na cena blues, evocando o clima do histórico Missy Sippy Blues & Roots Club, em Ghent, um dos templos do gênero na Europa.
Um retrato do blues contemporâneo
Mais do que um novo capítulo na discografia, Way Up! funciona como um retrato do momento atual da banda. O disco transmite a sensação de músicos que se divertem tocando juntos, celebrando a tradição enquanto reafirmam o blues como linguagem viva.
Ao longo de sua carreira, o grupo mostrou que a força do gênero não está apenas na nostalgia, mas na capacidade de reunir pessoas, contar histórias e transformar experiências em música pulsante. É essa combinação de respeito, energia e emoção que mantém Shakedown Tim & The Rhythm Revue como um dos nomes mais consistentes do blues europeu contemporâneo.
Com “Way Up!”, a banda reafirma sua essência: o blues pode até nascer da dor, mas também é capaz de elevar e muito.


Comentários
Postar um comentário