Bob Hite: a voz poderosa que incendiou o boogie do Canned Heat

Bob Hite: a voz poderosa que incendiou o boogie do Canned Heat



O nascimento de um apaixonado pelo blues

Bob Hite nasceu em 26 de fevereiro de 1943, em Torrance, Califórnia, nos Estados Unidos. Criado em uma família musical — com mãe cantora e pai instrumentista —, cresceu cercado por discos e melodias que moldariam sua trajetória. Ainda criança, ouviu gravações de blues que o impactaram profundamente, iniciando uma obsessão por colecionar discos antigos que se tornaria uma marca de sua personalidade e de sua formação artística.

Conhecido pelo apelido “The Bear”, por causa da presença física imponente e da voz potente, Hite desenvolveu desde cedo um estilo vocal inspirado nos grandes shouters do blues clássico. Seu vasto conhecimento do gênero o transformou não apenas em intérprete, mas em um verdadeiro guardião da tradição.

O início do Canned Heat e a explosão do blues-rock

Em meados de 1965, Hite uniu forças com o guitarrista e cantor Alan Wilson e o guitarrista Henry Vestine, dando origem ao Canned Heat. A formação clássica se completaria com Larry Taylor e Adolfo de la Parra, consolidando uma das bandas mais importantes do blues-rock dos anos 1960.

O grupo surgiu em um momento de redescoberta do blues nos Estados Unidos e rapidamente se destacou por unir reverência às raízes com uma energia elétrica e contemporânea. Entre os primeiros álbuns essenciais estão Canned Heat (1967)Boogie with Canned Heat (1968), Living the Blues (1968) e Future Blues (1970), registros que ajudaram a definir o som boogie que se tornaria assinatura da banda.

Woodstock: o boogie diante da história

Em agosto de 1969, o Canned Heat subiu ao palco do histórico Woodstock, diante de uma multidão gigantesca. A apresentação reforçou a reputação da banda como uma das grandes forças ao vivo da época, levando o blues para o centro da cultura jovem daquele momento. Embora a performance não tenha aparecido na montagem original do filme do festival, ela se tornaria parte importante do legado do grupo em versões posteriores.



Álbuns marcantes e parcerias lendárias

Ao longo dos anos, Hite permaneceu como figura central do Canned Heat, participando de uma sequência prolífica de gravações. Um dos momentos mais emblemáticos de sua carreira foi a colaboração com o mestre do blues John Lee Hooker no álbum Hooker ’N Heat (1971), trabalho que uniu gerações e reafirmou a ligação profunda do grupo com a tradição do gênero.

Mesmo após mudanças na formação e a morte precoce de Alan Wilson em 1970, Hite seguiu liderando a banda em turnês e gravações, mantendo vivo o espírito do boogie blues ao longo da década de 1970.

Os últimos anos e a morte prematura

Em 5 de abril de 1981, após um intervalo durante uma apresentação em Los Angeles, Bob Hite sofreu uma reação fatal após ingerir uma substância que acreditava ser cocaína, mas que era heroína. Ele entrou em coma e morreu pouco depois, aos 38 anos. Sua morte marcou o fim de uma era para o Canned Heat e para toda uma geração de músicos ligados ao renascimento do blues.

Legado

Bob Hite permanece como uma das vozes mais reconhecíveis do blues-rock. Seu canto vigoroso, sua erudição musical e sua dedicação à preservação do blues ajudaram a aproximar o público jovem das raízes do gênero. Ao lado do Canned Heat, ele construiu uma discografia essencial e deixou uma herança que continua ecoando em bandas e artistas que mantêm o boogie vivo.

Celebrar o nascimento de Bob Hite é lembrar de um intérprete que viveu intensamente a música e ajudou a transformar o blues em uma linguagem universal para uma nova geração.

Lançado em 1967, o álbum Canned Heat representa o ponto de ignição de uma trajetória que ajudaria a redefinir o blues no universo do rock. Gravado logo após a repercussão da banda no circuito de festivais e composto majoritariamente por releituras de clássicos do gênero, o disco apresenta a essência crua e apaixonada do grupo, com interpretações que reverenciam mestres como Muddy Waters e Sonny Boy Williamson, ao mesmo tempo em que anunciam a identidade elétrica que marcaria sua carreira. Com sua sonoridade direta e visceral, o trabalho permanece como um registro seminal e, por isso, merece destaque especial nesta celebração — um retrato do momento em que o Canned Heat transformou devoção ao blues em linguagem própria.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Top 10 - Os Blues Mais Regravados de Todos os Tempos

Little Walter: O Gênio da Gaita que Mudou o Blues para Sempre

Ain’t Done With The Blues: Buddy Guy aos 89 Anos Ainda Toca com o Coração em Chamas