B.B. & The Blues Shacks: tradição, estrada e o sabor vintage de “Blues Is A Stew”
B.B. & The Blues Shacks: tradição, estrada e o sabor vintage de “Blues Is A Stew”
Há bandas que carregam o blues como linguagem, e há aquelas que o tratam como um ofício. Desde o final dos anos 1980, B.B. & The Blues Shacks ocupa o segundo grupo: músicos que construíram uma carreira sólida, fiel às raízes do rhythm & blues e capazes de manter viva a estética clássica do gênero em pleno século XXI.
Uma história construída na estrada
Formada em 1989 na Alemanha, a banda nasceu da parceria entre os irmãos Arlt e rapidamente se consolidou como uma das referências do blues europeu. Ao longo de mais de três décadas, o grupo acumulou milhares de shows em diversos continentes, consolidando uma reputação baseada em apresentações enérgicas e no respeito às tradições do Chicago blues e do swing. A sonoridade da banda sempre dialogou com mestres do blues urbano das décadas de 1940 e 1950, refletindo a essência do gênero com autenticidade e personalidade.
A formação atual mantém a espinha dorsal histórica do grupo, com Michael Arlt nos vocais e gaita, Andreas Arlt na guitarra, Henning Hauerken no baixo, Fabian Fritz nos teclados e Andre Werkmeister na bateria — um time que equilibra precisão técnica e feeling, marca registrada da banda.
Discografia e reconhecimento
Com uma discografia extensa, o quinteto construiu um catálogo que passeia por diferentes nuances do blues e do R&B. Trabalhos marcantes ajudaram a consolidar a reputação do grupo, que também recebeu prêmios importantes no circuito europeu, incluindo distinções em premiações de blues na Alemanha.
Mais do que números ou prêmios, o legado da banda está na consistência: um som que permanece fiel à tradição, mas nunca soa datado, graças a arranjos elegantes e a um cuidado quase artesanal com timbres e dinâmica.
O novo capítulo: Blues Is A Stew
O álbum Blues Is A Stew, lançado em 2026, reafirma a vitalidade criativa da banda. Com 15 faixas, o disco apresenta uma mistura saborosa de blues, soul e rhythm & blues, reforçando a identidade vintage que sempre caracterizou o grupo.
As primeiras resenhas internacionais destacam o trabalho como energético, coeso e fiel à tradição, ressaltando a variedade de climas e a qualidade dos arranjos. Críticos apontam o álbum como uma verdadeira “panela” de influências, em que a banda transita com naturalidade entre o swing, o slow blues e o R&B clássico.
Faixas com forte pegada de shuffle convivem com baladas soul e momentos de inspiração direta nos mestres do gênero, criando um disco que soa ao mesmo tempo nostálgico e atual. O resultado é um trabalho que dialoga tanto com colecionadores de blues tradicional quanto com ouvintes que buscam um som orgânico e atemporal.
Uma instituição do blues contemporâneo
Ao chegar a mais de três décadas de atividade, B.B. & The Blues Shacks demonstra que a longevidade no blues não é apenas uma questão de resistência, mas de identidade. A banda permanece fiel à ideia de que o blues é, antes de tudo, linguagem coletiva — música feita para ser sentida ao vivo, em comunidade, com espontaneidade e groove.
Com Blues Is A Stew, o grupo reafirma seu papel como guardião de uma tradição que segue pulsando. Um disco que não tenta reinventar o gênero, mas prova, com elegância, que o blues continua vivo justamente porque nunca deixou de ser simples, direto e humano.


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