Long John Baldry: a voz que solidificou o blues britânico

Long John Baldry: a voz que solidificou o blues britânico 



Long John Baldry é um dos nomes essenciais para compreender o desenvolvimento do blues no Reino Unido. Figura emblemática da cena britânica dos anos 1960 e 1970, sua voz grave e presença marcante ajudaram a solidificar o blues como expressão autêntica na música pop britânica, tanto ao lado de projetos de vanguarda como o Blues Incorporated quanto em sua carreira solo recheada de momentos memoráveis e influentes.

Porta-voz do blues britânico

Nascido no condado de Kent, Baldry rapidamente se aproximou da música de raízes americanas e, ao lado de Alexis Korner e da Blues Incorporated, ajudou a pavimentar o caminho para a explosão do blues no cenário inglês. O coletivo funcionou como um verdadeiro laboratório artístico, reunindo jovens músicos que mais tarde se tornariam gigantes do rock e do blues, como Charlie Watts, Jack Bruce, Ginger Baker e muitos outros. A presença de Baldry nesse contexto foi tanto vocal quanto de liderança artística, ajudando a legitimar o blues como forma de expressão popular no Reino Unido. 

Foi também nesse circuito que Baldry cruzou com nomes que marcariam sua trajetória posteriormente: foi ele quem ouviu e apoiou músicos como Rod Stewart e Elton John no início de suas carreiras, sendo uma ponte importante entre gerações. 

Do blues tradicional ao sucesso comercial

Após seus trabalhos mais puros com as bandas de blues, Baldry passou por uma fase de maior exposição comercial no final da década de 1960, chegando ao topo das paradas britânicas com a balada Let the Heartaches Begin em 1967. Porém, sua retomada às raízes aconteceu no início dos anos 1970 com os álbuns lançados pela Warner Bros., especialmente It Ain’t Easy (1971), produzido por Rod Stewart e Elton John, que o trouxe de volta a um som mais vigoroso e diretamente ligado ao blues rock tradicional, com destaque para faixas como “Don’t Try to Lay No Boogie-Woogie on the King of Rock and Roll”. 



“Boogie Woogie: The Warner Bros. Recordings” — a coletânea definitiva

Lançada em 2005, “Boogie Woogie: The Warner Bros. Recordings” é uma coletânea dupla que reúne de forma remasterizada os dois principais álbuns que Baldry gravou para a gravadora — It Ain’t Easy e Everything Stops for Tea — além de faixas extras, versões alternativas e gravações ao vivo ou previamente inéditas. Com um total de 33 faixas e mais de duas horas de música, o conjunto funciona como um documento robusto da fase mais criativa e variada de Baldry na Warner Bros., mostrando sua versatilidade ao transitar entre blues elétrico, boogie, soul, folk e elementos pop sem perder o senso de tradição. 

O repertório inclui interpretações profundas de clássicos e canções que revelam a amplitude artística de Baldry: desde a energia crua de “Don’t Try to Lay No Boogie-Woogie on the King of Rock and Roll”, passando por versões de padrões do blues e do folk americano, até momentos que flertam com outros estilos e mostram sua habilidade como intérprete e comunicador musical. 

Legado e importância

A coletânea não é apenas uma reunião de faixas, mas sim um registro de um período em que Long John Baldry conseguiu sintetizar suas influências e experiência em uma obra acessível e rica — perfeita tanto para ouvintes que já conhecem sua obra quanto para quem se aproxima pela primeira vez. Ela evidencia a jornada de um artista que transitou por diferentes universos musicais e consolidou sua importância histórica dentro do blues, ainda que muitas vezes fora das grandes narrativas mainstream. 

Para os leitores do blog Todo Dia Um Blues, “Boogie Woogie: The Warner Bros. Recordings” representa uma porta de entrada ampla não apenas para conhecer a obra de Baldry, mas também para entender o movimento britânico que ajudou a moldar o rock-blues moderno. 

Long John Baldry nasceu em 12 de janeiro de 1941, no condado de Kent, na Inglaterra, e faleceu em 21 de julho de 2005, em Vancouver, no Canadá. Sua trajetória atravessou seis décadas de música, influenciou gerações inteiras de artistas e deixou um legado profundo no blues britânico. Mesmo após sua morte, a força de sua voz e sua importância histórica continuam ecoando em cada gravação, reafirmando Baldry como um dos pilares fundamentais do blues no século XX.


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