Johnny B. Moore: do gospel à eletricidade urbana de Chicago

Johnny B. Moore: do gospel à eletricidade urbana de Chicago



No dia 24 de janeiro de 1950, em Clarksdale, Mississippi, nascia Johnny Belle Moore — mais tarde conhecido como Johnny B. Moore. Vindo de um dos territórios mais simbólicos da história do blues, Moore cresceu cercado por sons que moldaram sua identidade musical: o gospel das igrejas, o lamento rural do Delta e, mais tarde, a eletricidade urbana de Chicago.

Celebrar o nascimento de Johnny B. Moore é revisitar uma trajetória que nunca buscou holofotes fáceis, mas que se sustentou pela fidelidade às raízes, pela força da guitarra e por uma postura musical que sempre colocou o blues acima da indústria.

Do gospel ao blues elétrico

Filho de um pastor batista, Johnny B. Moore aprendeu a tocar guitarra ainda criança, absorvendo primeiro o espírito do gospel. Essa base espiritual nunca o abandonou. Mesmo quando passou a tocar blues, sua música manteve um senso de devoção às origens, algo que se percebe tanto nos vocais quanto na forma direta e econômica de tocar.

Na adolescência, após a mudança para Chicago, Moore mergulhou no blues elétrico, tendo como referências nomes como Jimmy Reed e John Lee Hooker. O Delta seguia vivo em sua maneira de tocar, mas agora amplificado pelo ritmo e pela urgência da cidade.

Anos na estrada e o respeito da cena

Antes de consolidar sua carreira solo, Johnny B. Moore construiu um currículo sólido como músico de apoio. Seu período mais conhecido foi ao lado de Koko Taylor, integrando a lendária banda Blues Machine. Com ela, excursionou extensivamente, gravou discos importantes e se firmou como um dos guitarristas mais confiáveis do blues de Chicago.

Trabalhou também com Willie Dixon e participou de momentos históricos da cena, como o primeiro Chicago Blues Festival. Mesmo assim, Moore nunca se apresentou como estrela: sua posição sempre foi a do artesão do blues, aquele que sustenta a tradição sem alarde.

Lonesome Blues: um retrato fiel de sua essência

Lançado no início da década de 1990, Lonesome Blues é um dos álbuns que melhor traduzem a identidade musical de Johnny B. Moore. O disco apresenta um blues cru, direto, sem excessos, onde cada nota parece cumprir uma função precisa.

A guitarra é firme, os vocais são contidos e o clima é profundamente humano. Não há concessões à modernização artificial: o álbum soa como uma conversa franca entre o músico e suas referências, mantendo viva a ponte entre o Delta e Chicago.

Mais do que um registro fonográfico, Lonesome Blues funciona como um manifesto silencioso. Moore não reinventa o blues — ele o preserva, reafirma e o entrega com honestidade.

Um legado construído com integridade

Johnny B. Moore jamais foi um nome inflado pela mídia, mas sempre foi respeitado por músicos, críticos e ouvintes atentos. Após problemas de saúde que reduziram sua presença nos palcos, sua obra permaneceu como testemunho de uma carreira guiada pela coerência artística.

Celebrar seu nascimento é lembrar que o blues também sobrevive graças a artistas que escolhem o caminho mais difícil: o da integridade, da tradição e da verdade musical.

Como destaque e para celebrar o nascimento de Johnny B. Moore, vamos ouvir Lonesome Blues.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Top 10 - Os Blues Mais Regravados de Todos os Tempos

Little Walter: O Gênio da Gaita que Mudou o Blues para Sempre

Ain’t Done With The Blues: Buddy Guy aos 89 Anos Ainda Toca com o Coração em Chamas