Andrew “Smokey” Hogg: o blues poeirento do Texas
Andrew “Smokey” Hogg: o blues poeirento do Texas
Celebrar o nascimento de Andrew “Smokey” Hogg é voltar a um tempo em que o blues ainda era poeira na estrada, madeira rangendo nos alpendres e noites longas embaladas por um violão sem pressa. Nascido em 27 de janeiro de 1914, no Texas rural, Hogg foi um desses artistas que não pediram licença à história — apenas tocaram, cantaram e deixaram o rastro.
Raízes no Texas profundo
Criado em fazenda, Smokey Hogg aprendeu a tocar com o pai e cedo mergulhou no circuito de bailes, juke joints e esquinas poeirentas do leste do Texas. Era um blues de chão batido, moldado pela repetição hipnótica, pela voz grave e por um violão que parecia conversar com o silêncio. Ali se formou um estilo que misturava country blues e a cadência urbana que começava a ganhar corpo no pós-guerra.
Primeiras gravações e a volta por cima
Em 1937, ainda como Andrew Hogg, registrou suas primeiras canções em Dallas. O mundo, no entanto, demorou a ouvir. A consagração viria apenas na segunda metade dos anos 1940, quando Smokey passou a gravar com regularidade e encontrou eco nas rádios e nos salões. “Long Tall Mama” e “Little School Girl” transformaram-se em sucessos regionais, levando seu nome às paradas de R&B.
Não era um blues ornamental. Hogg cantava com economia, repetia versos, esticava o tempo, fazia da insistência uma forma de hipnose. Seu som dialogava com nomes como Lightnin’ Hopkins e Big Bill Broonzy, mas mantinha identidade própria — direta, áspera, profundamente texana.
Entre selos, estradas e o esquecimento
Ao longo dos anos 1950, Smokey Hogg gravou para diversos selos, mudou de cidades, tocou onde havia ouvidos atentos. Como tantos outros, não acumulou fortuna nem proteção. Sua carreira foi interrompida cedo: Hogg morreu em 1º de maio de 1960, aos 46 anos. O blues seguiu adiante, mas levou consigo aquela voz que parecia vir de um lugar antigo.
O legado que resiste
Hoje, suas gravações sobrevivem em coletâneas e plataformas digitais, alcançando novas gerações. Smokey Hogg é lembrado como um elo essencial entre o blues rural e o som elétrico que se consolidaria depois. Não há excessos em sua obra — há verdade, repetição, insistência. E isso basta.
Celebrar o nascimento de Andrew “Smokey” Hogg é reconhecer o valor dos artistas que sustentaram o blues longe dos holofotes, mantendo acesa a chama que ainda aquece quem se dispõe a ouvir com atenção.


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